Há uns três meses, fui a uma clínica para fazer uma mera consulta, mas naquela tarde conheci um senhor, que apesar do rosto um pouco desgastado pelo tempo, não parecia doente, mas tudo bem, nem todos que vão ao médico são doentes.

Nas consultas seguintes ele sempre estava lá. Com um livro e um bloquinho de anotações, estava empenhado na leitura. Eu não sabia se aquilo tratava-se de mera coincidência, mas nunca o via sendo chamado para sua consulta.

Sempre que eu chegava, ele sempre estava lá, mas não entreva na sala do médico. Aquele senhor estranho estava escondendo algo. Certo dia fui à clínica mesmo sem ter consulta marcada para tentar identificar o que aquele senhor objetivava. Cheguei cedo e fiquei até o fim do expediente, e Voilà, ele não estava lá para consulta. Ficava o tempo inteiro com aquele caderno e livro. Não era chamado em nenhum momento. Parei e pensei: ele não deve ter nada para fazer em casa e vem ler aqui na clínica.

Temporariamente, me dei por satisfeito. E m outro dia não levou o livro, mas trazia consigo o bloco de anotações. O que me provocou estranhamento.

Este fato novo me desencadeou uma série de pensamentos malucos:

Imaginei que ele estivesse escrevendo um livro e teria inspiração naquela sala estranha. Cheguei a pensar que ele tramava algum homicídio.

Minhas tardes de terça-feira passaram a ser rotina ir na clínica do centro da cidade. Não me era nada agradável ir àquele lugar. Era um prédio velho, a sala ficava no 13º andar, infelizmente eu tinha que subir e descer de elevador. Me dá calafrios! O elevador dá um tranco na partida e na chegada. Não sou muito religioso, mas naquele elevador você se apega a qualquer coisa.

Devido as minhas frequentes saídas, estou com problemas no trabalho. Estão desconfiados que o atestado que eu apresento é falso. E outro problema também é justificar quando vou à clínica sem consulta marcada.

Nesta última semana ficou apenas ele e eu na sala. Como da última vez, não tinha livro. Apenas um bloco e uma caneta. Parecia anotar alguma coisa que observara na sala, mas nada ocorria. A TV estava quebrada. A funcionária ficava atrás de um balcão maior que ela, que apenas a ouvíamos chamar o próximo paciente. O ar condicionado era uma das poucas coisas que funcionava, o frio é de tremer e o cheiro de mofo incomoda.

Estávamos ele e eu ali, em posição de xeque, mas o rei era falso.

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