Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar é uma pintura surrealista do pintor espanhol Salvador Dali.

Palavras [Des]conexas

Ou sobre o segundo antes de acordar

Sozinho, tenho o hoje.

O dia.

Tempo.

Mas não tenho nada.

Ter.

Obsessão ingrata.

Há, sim, a mudança. Mudança de vista. De paisagem.

É verdade: tudo muda. Vive mudando. A vida em si é transformação. E, é claro, somos míopes – triste incoerência – tão claro, tão cego. Enxergamos só um palmo a nossa frente. E, por vezes, nem isso.

E míopes somos errantes. Sentimos que estamos no lugar do outro quando, de verdade, não. Não há lugar do outro. Há sempre você mesmo imaginando e construindo, em si, o que seria um suposto “lugar do outro”.

Então, o mundo não muda? Quem muda somos nós?

Incessantemente. Continuamente.

Escolha. Como numa teia muito bem orquestrada, os encontros (e despedidas) vão se entrelaçando. As vidas transformadas. Enriquecidas. Doloridas no simples fato de que se pode mudar a vida de alguém mesmo sem querer. Sem saber (ou não). Esse poder que nos é inerente.

Que responsabilidade!

Amor. Esse é o combustível definitivo.

Amar.

Estar junto.

Ser.

E seguir em frente.

Dos remédios, o melhor, de longe, é procurar se entender. Se reconhecer. O mínimo que seja, não precisa muito. Enxergar o que te move. E o que te paralisa.

Respirar. E seguir nessa intricada teia como no dançar de uma folha ao vento que, ao contrário do que se pode pensar, sabe muito bem onde está indo. Falo do sonho da folha que, por toda sua existência, ansiou pelo momento sublime: o momento que seria conduzida nos braços do vento ao seu destino.

Porque, no fim, o que importa são os encontros. E as mudanças por eles provocadas.

Sonhos. São eles que permitirão que a chegada não seja idêntica ao ponto de partida e que farão valer a pena. Pena essa que é inevitável. Para os olhos que estão abertos e para os corações moles.

Encontro. Falo daquele instante crucial que as retinas se enxergam e dá para ver o reluzir das almas. Quem sabe, se reconhecendo. Ou se exaltando por, simplesmente, encontrar seu igual.

Enfim cá estou.

Tão frágil.

Tão forte.

E tenho comigo o elemento fundamental. A palavra. As letras que traduzem o significado. Significado.

Sentimento.

Estava só até meia hora atrás.

Agora não estou mais.

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