Por mais disruptiva ou utópica que possa ser a internet e a cultura da partilha em rede, parece haver hoje uma enorme pressão para uma presença 24/7, always on, de continua produtividade e eficiência total. O trabalho de Atkins habita essa aceleração digital para a desestabilizar, assombrando a alta definição do digital com “porosidades” e detritos inúteis do mundo físico. A performance do avatar da rede social, a identidade virtual e hyperreal da nossa presença online tem sido progressivamente parasitada pela lógica de um mundo corporativo que ameaça todas as dimensões do possível, e é essa condição tão instável quanto inoperativa que Dave vem figurar.

Ribbons de Ed Atkins | Umbigo
José Raposo, umbigomagazine.com


Foi numa visita à Serpentine Gallery em Londres que tomei contacto pela primeira vez com a obra do Ed Atkins. Escrevi algumas notas para a Umbigo a propósito de Ribbons, uma instalação video multicanal onde a utilização do CGI vai ao encontro de uma certa materialidade do próprio cinema, naquela que é uma das obras de maior folêgo no contexto dos designados artistis’ films.

Sem se inserir numa tradição cinematográfica, invoca a o cinema enquanto prática artistica singular, cartografando um afeto desesperadamente contemporâneo, onde a imaterialidade digital equivale cada vez mais a uma neurose psiquica, ao atrofio de um corpo.