Segunda semana de Orientação — Mestrado Professional Carnegie Mellon

Há alguns dias iniciei um relato sobre como funciona a preparação para o semestre letivo na Carnegie Mellon University. Para facilitar a leitura e a estrutura do texto, resolvi dividir essa experiência em duas partes. Um relato sobre a primeira semana, pautada para planejamento e organização; e outro relato sobre a segunda semana, orientada ao meu programa e a flexibilidade curricular. Assim, tratarei das minhas percepções e da experiência que vivi na semana final de orientação.

Durante dias, meu departamento explicou as regras para aprovação no curso, as expectativas acadêmicas e profissionais, os detalhes sobre o campus do Vale do Silício e os detalhes sobre o projeto final. Muitas informações foram repassadas mas quero destacar alguns assuntos que no meu entendimento têm contribuição fundamental para a excelência alcançada pela universidade. O primeiro aspecto motivador de excelência é a real integração entre a academia e o mercado, e o segundo é a flexibilidade curricular.

A necessidade de integração entre as empresas e as universidades já é um assunto bastante consolidado. Entretanto nunca havia vivido uma proposta de integração tão palpável mesmo tendo cursado MBA em uma renomada instituição privada no Brasil. Diferentemente de outros cursos brasileiros, o projeto final do meu programa envolve a efetiva inserção em uma empresa para solução/construção de um problema/projeto. Semanas antes do início projeto final representantes comerciais das mais diversas empresas como Google, Yahoo, Amazon, Cisco, entre outras apresentam seus problemas aos alunos. Uma verdadeira competição acontece entre as empresas para demonstrar a importância e o interesse dessas questões a serem resolvidas. Assim após as palestras, os alunos escolhem para qual empresa irão prestar serviços, recebendo todo o suporte para suas futuras atividades. Os grupos de 3 a 4 alunos trabalham dentro ou em contato direto com essas empresas. Uma relação que resulta em 30% de efetivação dos alunos antes mesmo da conclusão do curso.

Outro aspecto que leva a excelência é a flexibilidade. O meu programa é construído por 25% de matérias obrigatórias, 50% de matérias optativas e 25% de livre escolha. Para efeito de comparação, em minha graduação 70% dos créditos eram obrigatórios (pré-definidos); enquanto meu MBA todas as disciplinas eram pré-definidas. Mas aqui, toda essa flexibilidade garante ao aluno a criação de um conhecimento singular. Cada um consegue compor seu conhecimento de maneira diferente, orientando-se conforme seu interesse. Assim, existe uma enorme diversidade nos futuros trabalhos em grupo e todos ficam motivados porque escolheram estar naquela disciplina.

O meu relato acima é acadêmico, mas acredito que é possível extrapolar e refletir sobre isso em um contexto mais amplo. As empresas brasileiras precisam se aproximar dos centros de formação, orientando e direcionando os alunos conforme a necessidade do mercado. Poucas empresas criam desafios ou se envolvem realmente nas universidades. Por fim, é possível perceber que o ambiente empresarial pode aprender com a flexibilidade e realmente criar programas estruturados que incentivem o intercâmbio entre áreas e unidades.
Seria ideal se toda empresa soubesse responder essas perguntas. Qual nome do desafio acadêmico que sua empresa organiza? Com quem seu funcionário de TI conversa, caso queira passar três meses contribuindo no departamento financeiro?

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