A rotina anda nos desinteressando da arte

Mais uma semana acaba, outro fim de semana começa. Depois de trabalhar, estudar e nos tempos livres completar os afazeres dessas duas responsabilidades torna-se cada vez mais complexo ter tempo para prazeres ínfimos. O número de livros lidos não pertencentes às leituras obrigatórias diminui, o gosto pela literatura e pelos autores se torna escasso, os poemas e poesias somem dos nossos olhares e as visitas a exposições, passeios culturais e até mesmo frequentar cinemas se tornam inviáveis, seja pela falta de tempo livre ou pela simples vontade de usar este para outro fim — o descanso, mais do que necessário. Diante disso, a vida vai se tornando um movimento pendular diário entre as obrigações e um mínimo descanso sem, nesse meio tempo, haver uma saída reconfortante.

Livros de entretenimento aparecem cada vez menos chamativos a nossa atenção, Clarice e Machado deixam de trazer prazer e só aparecem em nossas vistas diante de uma leitura obrigatória de cunho acadêmico e aquela exposição notável e informativa sobre artistas passa batida. A cultura, que deveria ser priorizada na vida de todas as pessoas, aparece como uma programação inacessível no cotidiano da maioria da população e para aqueles que costumavam frequentar esses espaços isso vai se tornando um mero privilégio com o passar do tempo. Os meios sociais que deveriam construir uma melhor base cidadã vêm cada vez mais podando e moldando os sujeitos e o que é intrínseco a estes — suas personalidades. A cada dia fica mais dificultoso localizar o que concerne à personalidade ou o que é fruto dessa poda social.

Diante dos atuais contextos sociais, históricos e políticos turbulentos, essas implicações se tornam cada vez mais maiores e tomam cada vez uma maior parte da nossa vida enquanto a arte e a cultura se esvaem por entre os dedos. O que se mantém disso tudo é a esperança de o tempo livre surgir amanhã, na segunda-feira, na próxima semana, no próximo mês…