Teoria da Interdependência e sua influência no Mundo Atual

Josué Perini
Aug 27, 2017 · 3 min read

Após a Segunda Guerra Mundial se aprofundou na economia e sociedade mundial um fenômeno que já era incipiente desde o início do século XX: as relações econômicas e sociais entre os estados se aprofundam, causando um aumento muito intenso da interdependência entre eles. Sarfati (2005, p. 164), citando Keoahane e Nye diz que “a Interdependência é uma situação caracterizada por efeitos recíprocos entre os países ou entre os atores de diferentes países ou simplesmente o estado de mútua dependência”. Esses efeitos entre os países resultam de transações internacionais de dinheiro, pessoas e mensagens através das fronteiras internacionais. Em outras palavras o que acontece um país fatalmente vai refletir em outro, devido essa forte dependência que a economia de um tem sobre a do outro, vimos recentemente esse fenômeno onde a crise de 2008 no Estados Unidos devido aos derivativos se alastrou para o mundo todo.

Dessa forma os efeitos econômicos de uma decisão tomada do outro lado do mundo poderiam ser muito prejudiciais para os países envolvidos. Para Keohane e Nye, a interdependência é um fenômeno custoso para os atores do sistema internacional, traduzida temos a sensibilidade (repercussão de uma decisão em um país sobre o outro) e vulnerabilidade (alternativas de contornar a sensibilidade). O novo cenário mundial de poder onde o conceito de Interdependência se opõe ao do ultrapassado realismo temos a formulação por Keoahane e Nye da teoria da interdependência complexa que é caraterizada pelos múltiplos canais entre as sociedades, com múltiplos atores não apenas os Estados; por assuntos múltiplos que não estão organizados de forma hierárquica e pela irrelevância da ameaça ou do uso da força pelos Estados (SARFATI, 2005, p. 169).

Nesse novo organograma do poder onde os Estados estão mais enfraquecidos e a interdependência complexa tem se aprofundado ainda mais com a globalização, Sarfati (2005, p. 169) vê que isso tem sido acompanhado da pluralização, ou seja, atores transnacionais como multinacionais e organizações não governamentais (ONGS) tem aumentado suas participações nas redes globais. Esse aumento da participação fica mais evidente com as multinacionais, que em muitos casos rivalizam e até ultrapassam o poder de muitos Estados Nacionais. Apple, Microsoft, HP, Adidas, Nike são exemplos de Multinacionais gigantescas que tem fábricas no mundo todo e influenciam a economia de muitos países.

Com todos esses fatores vemos que a Teoria da Interdependência continua influenciando cada vez mais as trocas comerciais e a sociedade por todo o planeta. A terceira revolução industrial, caracterizada por profundas evoluções no campo tecnológico desencadeada principalmente pela junção entre o conhecimento científico e produção industrial faz com que a dependência de uma região do globo em relação a outra seja cada vez maior.

Muitas empresas de países desenvolvidos transferem suas fábricas para países subdesenvolvidos em busca de mão de obra barata, com isso a produção e consumo, apesar da distância estão fatalmente ligadas, sendo praticamente impossível separar uma coisa da outra. Uma medida tomada na China, país onde a maioria da Multinacionais americanas transferiram sua produção vai afetar o mercado consumidor americano, e vice-versa. Um exemplo disso foi a ameaça do novo presidente americano Donald Trump de taxar as mercadorias de empresas americanas que tinham sido produzidas na China, que não foi concretizada devido ao forte protesto das mesmas e do governo chinês.

Essa forte interligação do comércio e sociedade mundial tem um lado positivo que é o aumento exponencial do PIB mundial devido a automatização da produção e do avanço da internet, que ao conectar instantaneamente uma ponta a outra do globo favorece o encurtamento de distâncias e das ideias. Por outro lado, essa expressiva globalização tende a favorecer o surgimento de tempos em tempos de crises mundiais que além de afetar um grande número de países em cascata demora muito para ser debelada, devido a sua grandeza e volúpia. Entretanto apesar desses prós e contras o melhor caminho para o mundo atual é continuar avançado nessa integração das economias nacionais, pois só assim poderá continuar a tirar milhões de pessoas da miséria material e intelectual.


Josué Perini, formado em História pela PUCPR e Pós-graduado em História Contemporânea e Relações Internacionais pela PUCPR.

Referência

SARFATI, Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2005.

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