Eu consigo lembrar do tempo em que todas as sensações eram novas, tudo ainda tinha o sabor e o tato da primeira vez. Éramos mais jovens e alguns de nós até morreram — de uma forma ou outra. Eu lembro de um tempo em que as pessoas não nos cansavam antes de conhecermos elas. Tínhamos tempo, isso a gente tinha.
Hoje estamos ficando velhos, chatos. Enfiando dentro de uma caixa quem realmente somos para agradar pessoas que não se importam com nada além do que podemos oferecer a elas. Quando perceber talvez seja tarde demais, isso pode vir naquela aula, no último período daquele curso que tanto faz terminar ou não, o que importa é ter algum sucesso. E vai embora a ideia de que ter sucesso é se sacrificar menos e continua aquela vida de arrancar um pedaço de cada vez, morrendo devagar para nada.
Se for pelo prazer, pelo vício, pelo dinheiro, pela raiva, não importa. Viva. E caso se arrependa, que se foda, viva pelo arrependimento e se cansar de se arrepender e quiser recuperar tudo que perdeu, que se foda. Só viva, agarre que o tempo é um fim inesgotável e ande com sua vida.
