Painkiller e seus 28 anos.

Marcos Junior
Sep 5, 2018 · 2 min read
Painkiller, 1990

A coisa andava esquista para os britânicos do Judas Priest no fim dos anos 80. Depois de conquistar o mercado norte-americano, o sonho dourado, com o lançamento de grandes albuns na primeira metade da década, culminando com o registro ao vivo Priest Live!, o lançamento seguinte, de 1988, Ram it Down, foi uma decepção. Mesmo o bom Turbo (1985) já não tinha a mesma energia de albuns como Screaming for Vengeance, por exemplo. Já Ram it Down, pouca coisa se salva. Parecia que a banda optara por um caminho de músicas mais formatadas, sem criatividade e sem algo fundamental para uma banda de metal, a pegada.

Por isso quase caí na cadeira quando escutei a entrada de bateria que abre a faixa, e o disco, Painkiller, lançado em 3 de setembro de 1990, pouco antes o Rock In Rio II. O que era aquilo? Energia e pegada no grau máximo, justamente o que a banda parecia ter perdido. Era como se eles resolvessem declarar: era isso que queriam? Pois toma!

De volta às origens!

Painkiller, a música, tem ainda guitarras, agudos do Rob Halford e uma bateria que dava um peso impressionante para a banda. Lembro que terminei a audição da faixa com um certo cepticismo, o que viria a seguir? Será possível que o disco continuará neste ritmo? Entra Hell Patrol, outro petardo. Minhas preces estavam sendo atendidas. Como dizia sempre Rob nos shows, Priest is back!

Lembro que pensei que depois destas duas músicas, nem precisava mais nada. O resto do disco podia ser meia boca.

Mas o que? Halford entra com aquele vocal agudo, sua marca registrada, para iniciar All Guns Blazing e as guitarras gêmeas entram com mais um riff alucinante. Quase fui às lágrimas. Esse é o Priest que eu amava! Uma energia que não via desde o Screaming, por mais que tenha gostado do Defenders.

O disco é todo bom, mas tenho queda particular por duas pérolas do Lado B (bons tempos do vinyl!), a tocante A Touch of Evil e a contagiante One Shot of Glory.

Painkiller foi um disco em que todos estavam bem. E que diferença Scott Travis! Sou fã do rock que Dave Holland tocava no Trapeze, mas ele sempre pareceu-me peixe fora d́água no heavy metal. Com Travis, a banda alcançou uma formação definitiva, beirando a perfeição.

Painkiller foi o último disco realmente grande do Judas Priest, e um dos grandes albuns da transição dos anos 80 para o furioso anos 90. Mais uma vez o Priest encerrava uma década em grande estilo.

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Tentando viver a vida um pouco acima da linha da mediocridade, procurando descobrir a verdade sobre o mundo e confiando que ela nos liberta da ignorância.

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