Uma reflexão sobre a depressão, a produção e a aceitação da tristeza
Depressão é sempre um assunto complexo de abordar. É difícil para quem vivencia, uma tortura para quem sente e inconcebível para quem nunca ouviu falar.
A gente tem diversos fatores que podem deixar alguém mais propensas à esta condição, entre eles, fatores hereditários. Ainda assim, é complicado, talvez impossível, definir o que leva o indivíduo a tal estado.
Mas o quanto a nossa sociedade, o nosso sistema, contribui para que as pessoas cheguem a este ponto?
Quando fiz o TCC descobri que existe um tempo (de 3 a 7 dias) para "superar" o luto e depois voltar para ao trabalho.
Há, em nossa sociedade, uma exigência fodida para que fiquemos bem o quanto antes, e assim, possamos voltar a nos "encaixar" no mundo. A questão é que nem todos conseguem "ficar bem" a tempo.
Estar triste parece ser errado. Há um exigência para vencermos a tristeza. E nem todos conseguem assim, facilmente.
Diversas coisas são impostas para nós como sinônimo de felicidade: carro, casa, família, coca-cola. Nos falta tempo para perguntar “O que de fato é ser feliz?”.
E será que a felicidade depende da marginalização da tristeza?
Ou aceitar a tristeza como algo comum a todos abriria mais espaços para as pessoas falarem como se sente, assim facilitando a chance de se sentirem acolhidas?
Que a empatia é de suma importância para ajudar pessoas, isso não há dúvidas. O simples ato de ouvir pode salvar uma vida. É fato. Mas além de saber praticar a empatia, é de extrema importância que a gente saiba como funciona a tristeza. E assim, possamos todos viver da melhor maneira possível, mesmo com nossos empecilhos.
