PSD: continuidade da novidade, ou novidade da continuidade?

Há um ano e pouco, Rui Rio ganhava a batalha pela liderança do PSD. Uma vitória do centro e da social-democracia, face ao conservadorismo e neoliberalismo de Passos Coelho, personificado em Santana Lopes.
A vitória de Rui Rio marca a afirmação da ala social-democrata no PSD. Atrevo-me mesmo a dizer o regresso às origens sá-carneiristas do partido.
Apesar disso, a vitória nunca foi consensual. Ao longo das décadas o PSD transformou-se de um partido do centro e social-democrata, para um partido conservador e próximo à direita. A divisão dos militantes e simpatizantes refletiu-se na escolha do novo presidente.
A liderança de Rui Rio foi díficil. Rio quis posicionar o PSD ao centro, o que o fez perder alguns eleitores mais conservadores. Ao mesmo tempo, Rui Rio não conseguiu captar eleitores do centro. Isto talvez porque em Portugal eles mal existam, dado que os que possivelmente seriam centro se alocam constantemente ora ao PS, ora ao PSD (e caso tenham aderido às ideias do PSD, não foram em número suficiente para colmatar as fugas dos conservadores). Por outro lado, não esqueçamos o crescimento da IL, que captou alguns eleitores de centro e liberais que, anteriormente, se viam forçados em votar no PSD para se verem representados.
Agora, após a dificuldade de fazer o PSD ter um resultado satisfatório nas Europeias e nas Legislativas, o conflito interno, sempre vivo durante a liderança de Rui Rio, volta-se a afirmar.
Posto isto e escolhido o cenário de eleições internas, que tudo indica ser a 11 de janeiro, podem-se dar três principais alternativas ao futuro do PSD:
- Continuação da Social-Democracia de Rui Rio, que se tratou de um regresso às origens, de uma novidade de certo modo.
- Regresso ao conservadorismo e neoliberalismo, através da candidatura de Luís Montenegro, uma mudança, mas um regresso às políticas de Passos Coelho e de outros dirigentes conservadores
- Afirmação de uma ala liberal, caso Miguel Morgado se candidate (e ganhe, evidentemente)
Se a bipolarização do partido já não era mau o suficiente, agora surge uma nova ala dentro do PSD.
Não digo que seja algo mau, antes pelo contrário. Se esta nova ala tiver sucesso e se Miguel Morgado adotar a posição liberal que é esperado que faça, decerto que o PSD ganhará uma nova série de simpatizantes e eleitores, além de que isto trará ideias importantes para Portugal.
A afirmação do PSD como liberal, agregado ao surgimento da IL, seria, sem dúvida, uma forma de Portugal se afirmar e de conseguir o tão esperando boom.
Por outro lado, ainda temos a candidatura de Miguel Pinto Luz. Duvido se, caso se afirme a sua vitória, o PSD iria adotar uma postura mais social-democrata, ao género de Rui Rio, ou se iria escolher apoiar mais a liberdade.
Só um aparte:
A juventude é uma parte importante da construção ideológica e partidária e os partidos apercebem-se, cada vez mais, que têm de dar lugar a políticos jovens. O CDS já se apercebeu da potencialidade da JP e do seu presidente. Agora o PSD devia ir pelo mesmo caminho. Rio apostou no Hugo Carvalho para candidato pelo Porto, de certo que, um dia mais tarde, ouviremos esse nome nos altos quadros do Partido e do Governo.
