Desabafo

Vou lhe contar um fato verídico,
acontece com parentes e amigos.
Enquanto fofocas estão na mídia,
o retrato da vida, será uma mera poesia,
e a morte do jovem por bala perdida
será considerada como merecida.
O “menor” que você ontem matou,
só precisava de uma oportunidade
e de tanto que você julgou,
nunca poderá saber o que é liberdade.
Nascido do morro, respeitado por todos,
viveu subindo e descendo ladeira,
o único medo é a 12 do PM apontada na cabeça,
já que o fuzil falou mais alto que a caneta.
Sua pele escura não é escolha
e sim mais um motivo de honra.
Ouve os fogos, corre pro posto,
mais uma batalha e tão sangrenta
quanto obra do Tarantino e tão trágica
que o mundo é incapaz de receber essa noticia.
Hey plin plin, foca aqui
com luz e camera vou te explicar a situação,
além de versos o menor faz pixação.
Enquanto seu senador, ta fazendo leis
para prender pixador, e ganhando money,
o preto e pobre experimenta o sabor da dor.
Se o tiro é contra o preto, são chamados de heróis,
Como 2Pac dizia: “as coisas nunca vão ser iguais”.
Esse é apenas um problema racial,
que entre tantos, a morte do favelado
é menos um na previdência social.
Os soldados aqui do morro também atiram,
mas fazem isso depois que vocês engatilham,
a pedido do verme de gravata que nunca soube de nada.
A cada quebrada, são mil histórias para contar,
impossível com elas não se emocionar.
Com 12 já era o único homem da casa,
já trabalhava em busca da grana,
pelos becos fazia rap e não era em busca de fama,
a tinta da caneta representa a lagrima,
da saudade do pai, morto por um porco
que logo lembrar o ocorrido,
ao chão também cai.
Ele não é o soldado que fica,
mas é o que honra a camisa,
papo sobre o futuro, com ele é furo,
só pensa no presente, não quer ser mais
um pai ausente, e muito menos insuficiente
para sua amada, quebrada.
Esse trampo não é nenhum exemplo,
mas o único sustento, era com a pistola na cintura
que conseguia por comida na mesa de sua família,
e sua reza era para ao fim do dia,
dar um beijo de boa noite em sua filha.
Enquanto ladrão de Brasilia 
é enterrado em caixão de marfinno, o preto da favela
é enterrado vivo.
O dedo na pistola que escorrega, mata um colega,
amanhã é seu filho ou seu marido,
e vai ser só mais uma história para o poeta.
Uma bola no pé, e o sonho de ser jogador,
um palco e a esperança de se tornar ator,
o dinheiro faz parte, é o objetivo,
tirar a família da comunidade.
Cidadão de bem, que servem,
a classe maior e se culpam
por onde moram e o traje que usam,
aqui se atira para não tomar,
mas na rua, tem que abaixar
pra policia que decide ir me visitar,
pedem grana ou me entregam a bala da HK,
não quero ir em cana, só quero a grana.
Na city, o crime não para,
cidade sem lei, veste a mascará
e busca a poltrona do rei.
Na comunidade, se torne homem por necessidade,
o papo é reto, e de bandido que vira professor,
agora é hora de matar o invasor,
levanta a cabeça e vamos empurrar para vala,
bico sujo, zé povinho e atrasa lado
vai receber bala.

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