Eu sou porque nós somos: Wolverine e Hulk

Chipotle & Ganache
Nov 4 · 6 min read

Nas histórias do A+X, onde um Vingador luta contra um X-men em uma ideia despretensiosa, focada apenas em enaltecer as semelhanças entre o grupo de heróis. Vemos, por exemplo, Tempestade e Pantera Negra em uma corrida, Gambit disputar a atenção de uma menina com o Hawkeye e mais uma vez, Hulk e Wolverine lutando por um pedaço de bolo.

Mas, por que Hulk e Wolverine? O Hulk talvez, seja mais importante para o Wolverine do que o Carcaju seja para o Gigante Esmeralda, pois, foi nos quadrinhos do Hulk que o Wolverine deu as caras pela primeira vez.

“A perda de alguém, é meu ganho”.

É importante notar que no universo cinematográfico dos Vingadores, a amizade entre o Vingador e o X-men foi substituída pelo Thor, ainda que boa parte da essência seja perdida, a substituição foi inteligente mas não suficiente, mesmo isso tendo custado a personalidade quase única que Thor tem.

“Eu sempre estou bravo”

No primeiro Vingadores (2012), Bruce Banner é uma conjuntura. Ele rejeita o chamado de ser um herói, como todos ali. Podemos ver que a contraparte do B.B. é sua maldição, que fez ele desistir de ser um cientista, de ter um relacionamento e abdicar de viver. Quando Banner está próximo de ter amigos, o lado negro dele surge e persegue a Viúva-Negra. Se a Natasha não fosse quem fosse, ela estaria morta.

“Esse é o meu segredo, eu estou sempre bravo” essa cena revela a ideia de que Hulk é uma manifestação e por ser uma manifestação, é mais Banner do que o próprio Banner. O Hulk não nasceu junto com o Bruce, mas surge quando o Bruce para de ser quem ele é (Bravo ou Corajoso). E é magnífico como é fácil se identificar com eles.

A relação catártica das duas personas pode ser vista em qualquer ser humano. Machucar as pessoas é pintado de uma forma grossa e literal no herói, mas, não é assim que a manifestação do Esmeralda funcionaria no mundo real.

Citando Carl Jung, a morada de sentimentos que normalmente não se atribuiriam ao Homem Simples, criou vida e personalidade com o incidente com raios gamas. Mas é vital para o entendimento do Banner como Banner e Hulk como Hulk, de que antes do incidente, já existiriam duas personalidades.

No final, quando Hulk é novamente reprimido para onde (Em teoria) é o lugar dele, Banner acaba se achando indigno: de ser amado, de ser amigo, de ter uma profissão, de ser um herói.

“Você é uma cerveja?”

“Eu posso te ajudar?”

O Logan é cheio de poderes, dentre eles tem Regeneração, sentidos apurados, garras afiadas, o Wolverine pode muita coisa, mas o não pode ver seus acertos. Sua saúde mental é totalmente corroída, pois assim como o Bruce Banner e Wade Wilson, fator de cura está diretamente ligado com a mente abalada.

Ele não lembrava seu nome, e talvez Logan nem seja seu nome de verdade. A preguiça de criar uma história para o carcaju foi simplificada para simplesmente: Ele não lembra da sua história. E isso dá espaço para pensar muito sobre do que é feito Wolverine. Pensar do que faz Wolverine, nos coloca na mente do próprio.

O herói é quase sempre atribuído em um papel de proteção, ele é uma figura paterna para muitas personagens, ainda que se ache um mau pai e rejeite essa colocação. A gente pode ver isso em Logan (2017), a jornada e as cores do Filme tecem e muito sobre o que o personagem é, áspero e frio. E se colocando como alguém assim, ele foge de criar relações e vínculos. Todavia, X-23 desafia a personalidade fugitiva do baixinho (Nem tão baixinho no filme), pois os dois tem muito em comum. E por terem coisas em comum, é natural que haja muitos conflitos.

O “Eu estou sempre bravo” daquele (maravilhoso) filme, é o Gêmeo do Mal de Logan. Seria muito difícil, em um filme dizer os porquês do Wolverine ser um dependente químico, visto que, essas toxinas são as únicas coisas que podem matar o Wolver.

No filme, Logan se encontra com um “Wolverine”, um clone que foi o que ele era. De forma sintomática, vemos o passado que fez de Logan um escapista, subjetivamente, o Clone é o que Logan achava que estava destinado a ser: uma arma.

Assim, quando a história se desenvolve, percebemos que paralelo à Hulk, o Logan reprime na verdade, um Banner. E quando esse lado mais humano vem à tona, é que se manifesta as vontades de fazer relações e de viver. Podemos ver isso claramente, na luta e no sacrifício de Logan para derrotar seu passado e proteger X-23 de uma forma, que não conseguiu proteger os humanos do filme e da sua figura Paterna, Xavier.

X-23 ainda, se sucede em ser um best-self de Wolverine. Animalesca e heróica na medida certa, enchendo Logan (E qualquer um) de orgulho.

Teoria da Autopercepção

Em Psicologia Wolverine, do Psychology Today, o autor aborda a Teoria da Autopercepção nas atitudes de Logan, dos porquês das decisões dele e como almeja esconder suas fraquezas. Na Teoria da Autopercepção diz que Somos porque Fazemos. E não, fazemos porque somos.

De acordo com a autopercepção do teórico William James em 1884, comportamentos exteriores, tais como “estar carrancudo” ou sentado “caído” em uma cadeira podem vir antes do sentimento interior que supostamente representam. Eles informam o indivíduo de suas próprias emoções.

Como tal, uma das principais implicações da teoria da autopercepção é que as atitudes ou emoções podem ser alteradas mudando o comportamento. Dito isto, há alguma variação no modo como as pessoas são influenciadas por seus próprios comportamentos.
Tiago Azevedo, do Blog Psicoativo.

“Eu não queria te perturbar”, em seu comportamento arisco.

Autopercepção também está nas relações que fazemos, ou seja, se você diz que “Meus amigos são criativos, mas um pouco duros”, de forma indireta, isto molda a opinião sua sobre você. Por isso nos sentimos sozinhos em determinados grupos, acuados ou sentimos abraçados em outros.

A teoria sugere que, uma vez que as pessoas reagem com os sentimentos e ações de seus comportamentos externos, esses comportamentos podem ser ajustados adequadamente para influenciar os sentimentos e atitudes de uma pessoa. Por exemplo, adolescentes expostos ao serviço comunitário tiveram melhores percepções de si mesmos e eram menos propensos a se envolver em comportamentos de risco.
Fonte

Isso explicaria muito os porquês de Hulk/Banner rejeitar o chamado dos Vingadores e o motivo de Wolverine estar entre os X-men.

“Quando você luta com alguém, você passa a entender essa pessoa melhor”, Hulk fala sobre si e sobre o outro.

As atitudes de Banner, convergem em quem o Hulk/Banner vê como indivíduo, ou seja, não é natural que o Monstro faça parte dos Heróis, e o Banner se vendo como inútil não se coloca nesse posto. Contudo, se desafia tornando-se parte, e assim, resignificando quem o Hulk é. Exatamente da mesma forma que as pessoas que fazem trabalho comunitário não fazem porque são altruístas, mas são altruístas porque fazem.

O Wolverine em paralelo, é idem. Ele participa dos X-men e dos Vingadores, ainda que se ache indigno devido seu passado, pois, o impasse de ele achar ser ruim ou bom é pouco conceituado, pois o importante é que ele faz (Ainda que não perceba diretamente). Ele não se sente parte dos heróis, mas fazer atos heroicos é substância necessária para ele não ser algo que não seja herói.

“Eu cheguei a conclusão de que gosto de você, baixinho”. “Por que?” (Novamente arisco e desconfiado), “Porque dos nosso próprio jeito, somos monstros, amigo”.

Outrossim, a frase: “Eu sou, porque nós somos” cabe bem aqui, o Hulk e Wolverine são mais próximos entre si do que os outros justamente por causa do poder desta frase e por causa da autopercepção de cada um.

O Logan sozinho é cruel, animalesco, angustiado e frio, mas o Banner não, o Capitão América também não, Tony Stark só as vezes, mas por eles não serem, o Wolverine também não é. Por que se o TODO é herói, o UM também.

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