A Persistência da Memória, de Salvador Dalí

carta para você mesmo

Certo dia estava conversando com uns colegas de trabalho sobre o futuro — como nos imaginávamos dali a tantos anos, o que estaríamos fazendo, o que esperávamos da vida e por aí vai.

Jogando conversa fora.

Até que um destes colegas perguntou se conhecíamos o site FutureMe. Explicou que a ideia do espaço era escrever uma carta para si mesmo, uma carta para “o seu eu do futuro”. Um pouco assustador, eu sei. Mas divertidinho também.

Curiosa (e geminiana) como sou, fui ver qual é que era e escrevi uma carta para a Joyce que eu projetei como uma realidade dois anos a partir daquele dia (você pode escolher o período que quiser e o site programa a carta, que chega no seu email cadastrado na data escolhida).

Eu já tinha esquecido dela há muito tempo, quando finalmente brotou na minha caixa de entrada. Além de um pouco chocada pelo fato de estar a caminho de realizar apenas uma das previsões, o que mais me abalou foi ver o quanto minha vida havia mudado, não necessariamente pra melhor. Como o que eu vislumbrava para mim, em alguns aspectos, já não tinha chance nenhuma de se concretizar. Foi difícil ler esse conteúdo no auge de processos dolorosos e perdas. Uma armadilha que plantei pra mim mesma. O valor das memórias afetivas nesse momento foi reavaliado e eu tive que encará-las de frente.

Mas isso me ajudou a compreender, de verdade, que todo ciclo tem um fim. Toda dor uma hora acaba, que a reconstrução é um ponto de partida para algo novo e é empolgante apertar o botão do start. Às vezes essa virada é tudo o que precisamos.

O ímpeto de querer mirar novos horizontes. Deixar um pouco de lado a melancolia e ter otimismo no porvir. Como é bom se deixar levar por planos ainda em sua gênese.

Finalizei a breve carta com os seguintes dizeres (ai que vergoinha): “Só quero amor e bons filmes!”. Pouco me era/é necessário para alcançar a tal idealização de felicidade. Hoje posso dizer que acertei o alvo bem no meio!

Aproveitando o ensejo, desabilitei também (as traiçoeiras) recordações do Facebook e me afastei dos pequenos detalhes que insistiam em me transportar para o passado. Escolhi olhar para frente, seguir. O que vivi até aqui está inevitalmente impresso em mim, reverberá nos próximos passos que darei, naturalmente, e já não é mais necessário nada pra me lembrar disso.

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