Maria

Hoje era dia de Maria, e ela estava decidida a descansar. Saiu de casa vestindo suas melhores roupas sem dizer a ninguém onde ia. “Onde vais mulher?” perguntava o marido. “Vou ser Maria, vou ser feliz.” respondia Maria. E lá se ia ela ser feliz, deixando o marido sentado sem entender.

Foi a um parque longe donde morava. Hoje qualquer sacrifício valeria a pena. Só queria estar longe. Longe de sua casa, longe de sua vida, longe de seus problemas, longe de seus amigos e da família. Queria estar longe de todas as mil Marias cansadas. “Hoje é meu dia, hoje é dia de Maria!”.

Lá no parque Maria não fazia nada. Se deitou na grama e olhou pro céu. Podia. Podia fazer o que quisesse. E não faria é nada. Não pensava nos seus problemas, não tentava decifrar as nuvens, não tentava entender as frases que o vento soprava. Não queria pensar, decifrar ou entender. Queria apenas ser Maria e descansar.

Então o homem que vende sorvete passou. Maria pensou no dinheiro. Pensou. Pensou em como no final do mês esse dinheiro faria falta. Pensou na Maria do futuro arrependida. Pensou muito e continuou pensando. Pensou nas Marias, no dinheiro e no sorvete. “Pois essas Marias é que se danem, hoje o dia é meu não delas!”.

E Maria tomou o sorvete com gosto.