Uma poderosa, muitas poderosas

Tem certeza que você vai sair com essa roupa, eles perguntavam.

Fazer o que em Marcha pela Mulher? Coisa de gente desocupada, de gente mal-amada, você ouviu. Repetidas vezes.

Cinema? Uma mulher? Peixe grande nessa área é tudo homem. Perda de tempo. Vai fazer Direito! Até Publicidade é melhor. Você cansou — e cansa — de escutar.

Em casa, no trabalho, na rua, no bar. No bar? A essa hora? Não é lugar de mulher.

Eles disseram. Você não ouviu.


Nathália Oliveira. Saída dos subúrbios do Rio, de um lar carinhoso e generoso, mas predominantemente machista, você se viu reflexo das circunstâncias. Uma vida em colégios religiosos, bem carolas e tradicionais, tiveram seu preço. A educação privilegiada, os valores ultrapassados. A adolescência foi rica em experiências e amizades. Mas deixou adormecida em você sua verdade.

E foi na virada de chave, de jovem menina para grande mulher, que as ideias começaram a pipocar no seu universo. Filha da PUC, não abaixou a cabeça. Se entregou a sua grande paixão. O cinema! E um chega pra lá em quem se meter a criticar! Seu negócio é ser feliz, e você sabe. O que não imaginava era que sua felicidade estava em ver a felicidade dos outros também. Mais ainda, das outras. Foi na faculdade que você viu a palavra mágica entrar por um ouvido, e ressoar na cabeça e no coração: feminismo. Logo você, tão machista, tão policiada. Feminista? Hã? Isso aí. Mas não feminista de impulso. Estudada, interessada, engajada. Conta, então, o que é feminismo, afinal:

De repente, você se viu diante de #meuprimeiroassédio. Não podia ficar em silêcncio. Era preciso agir. Era preciso abafar as idiotices e devaneios de Vossa Excelência, Seu Cunha. Era preciso ir as ruas. Mas a gota d'água, que te pegou de vez, foi no vizinho. Na Argentina. Ni Una Menos. Nem uma menos. Nem uma menos. A mobilização de "hermanas" foi tão impactante, tão substancial, que você enxergou que era sua vez de contribuir. De militar pelas mulheres. Contra a violência. Contra a desigualdade. Contra o desrespeito.

Vinda com a Primavera da Mulheres — como você gosta de chamar, por achar delicado e, ao mesmo tempo, uma mostra de força — desabrochou uma ideia. Umas ideias. Que tomaram forma. Tomaram fotos, tomaram histórias, tomaram mulheres. E deram voz, deram espaço. Deu poder a mulher. Nasceu o Projeto Mulheres Poderosas. Uma série fotográfica… Quer saber, fala mais você, fundadora do projeto:

https://vimeo.com/212753932

Uma história se funde as outras. A contadora de histórias, se reconhece nas personagens, e vice-versa. Essa é sua história de luta. O começo dela.

Projetos Mulheres Poderosas — as personagens

Tem certeza que você vai sair com essa roupa, eles perguntavam.

Fazer o que em Marcha pela Mulher? Coisa de gente desocupada, de gente mal-amada, você ouviu. Repetidas vezes.

Cinema? Uma mulher? Peixe grande nessa área é tudo homem. Perda de tempo. Vai fazer Direito! Até Publicidade é melhor. Você cansou — e cansa — de escutar.

Em casa, no trabalho, na rua, no bar. No bar? A essa hora? Não é lugar de mulher.

Eles disseram. Você não ouviu. Graças a Deus.


Quer conhecer mais sobre o Projeto Mulheres Poderosas? Acompanhe as páginas do movimento nas redes sociais!

https://www.facebook.com/projetomulherespoderosas/

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