Não é como se esse texto merecesse um título
Não é como se esse texto seja como todos os outros.
Não é como se esse texto tenha a quantidade de cuidado que os outros recebem.
Não como se a vida batesse nele, mas o ensina.
A queda é fundamental.
A subida é consequência.
Não é como se eu pretendesse passar horas escrevendo este texto.
Trabalho de pesquisa, revisão e criatividade leva tempo.
Este que é tão grande de perto.
E de longe
Bem, ele fica de longe.
Não como se fosse perda de tempo a pesquisa.
Cada sorriso de canto da boca e ar exaurido do nariz vale a pena.
Não são de grandes coisas que é feita a vida.
Ou na verdade é.
E não me venha com clichês de “coisas pequenas fazem as coisas grandes”.
Não, a vida é só grande mesmo.
As coisas pequenas são pequenas.
Minha lição de moral então?
Leiam Esopo.
Ou não, pode ser também uma coisa pequena.
Minha lição é que apequenamos demais as coisas.
E a realidade não se curva ao que fazemos.
O problema é que as vezes ela entorta.
Não é como se esse texto fosse novamente sobre futebol.
Cito-o só pela consideração.
Mas o texto são sobre as palavras.
Que não fluem como um rio.
Pois a poluição atrapalha muito a água.
Mas são como a luz.
Brilhantes e inevitáveis.
Fluidas como… luz! No vácuo.
E as palavras
Esses amontoados de letras.
Assim como a luz é um bando de fóton.
Ou não, a ciência é meio confusa.
Surgem tão naturalmente nas mãos.
Não nas suas
Provavelmente.
Muito menos nas minhas.
Mas nas dos mestres.
Não que eles existam.
Endeuzar coisas é algo de pior que o ser humano pode fazer.
E os mestres estão aí aos montes.
A definição é relativa, qualquer um é mestre nos olhos de um qualquer.
Mas na mesma medida que muitos são mestres pra muitos
Pra uns só uns são mestres.
Assim o número diminui.
Embora ainda seja grande
A proporção não me deixa mentir.
Pra cada 7 bilhões, não são todas que são lembradas nos livros de história.
Não é como se eu não abrisse um já citado sorriso de canto de boca ao fazer referências completamente naturais ao tema central que este texto deveria receber.
Não ainda não recebeu.
Parecendo os livros de Assis
O spoiler parte do próprio autor.
Muito bom por sinal.
Mas infelizmente, a exaltação de uns exigem a humilhação, mesmo que equivocada, de outros.
Outros estes que não deveriam estar no plural.
Outro este, que é o mestre Carlos Ruiz Zafón.
Talvez um mestre de uma obra só.
Fadado a ter tantas demais esnobadas.
Quase um Macarena.
Mas isso não importa.
Mais vale os pássaros que temos em mãos do que aqueles que nem sabemos se voam.
E os que eu tenho em mãos as engrandecem.
Na realidade, não a elas.
Talvez, também.
Mas principalmente a minha mente.
E ao fundamental sorriso de canto de boca
Tão discreto, e ao mesmo tempo visto por todos
Tão negligenciado
Tão injustamente.
E o mestre Zafón já há de fazê-lo não só uma, não
ainda
três, mas duas vezes.
Parece pequeno
Mas vamos evitar entortar a realidade.
A sombra do vento.
O jogo do anjo.
Não são duas Monalisas
As tintas não merecem tanto.
Sobre a primeira obra mencionada não em cabe falar agora.
Não tente forçar o triângulo no quadrado como um criança no berçário.
Não me cabe.
Agora, o círculo encaixa perfeitamente no círculo.
Talvez eu seja oval
Mas dá pra enganar.
Numa leitura que começou exatamente no dia 28/10, uma segunda
E acaba no exato 04/11, outra segunda.
Mais coincidência do que planejamento.
Mais paixão do que juízo.
E a obra
não é como se fosse um livro ruim com um nome clichê
Pouco chamativo
Mas como comentado na obra, isso talvez não importe
O livro quem escolhe seu leitor.
E eu me sinto agraciado pela honra de ser escolhido.
Não como poucos
Mas como outro.
Um outro estupefato por tudo.
Desde o primeiro “um” até o último “jamais” do livro.
Cabo a rabo.
E uma construção que não chega perto de beirar a perfeição.
Mas
não é como ela se proposse a isso.
Eu a proporia
Mas quero evitar críticas alheias.
E a obra é um livro dois.
Não como se fosse o segundo.
Pode ser até o quarto, se quiser.
No meu caso, sem maiores confusões feitas quanto a ordem..
1
2
…
E na obra o personagem principal
David
Consegue ser naturalmente desumanizado e humanizado
Não em momentos diferentes e alternentes
Também
Mas sim simultaneamente.
E essa é a magia.
Cada dor do personagem é sentida durante
Depois
E até mesmo antes
Ou provavelmente não.
A construção do coitado é feita magistralmente.
Como um prédio no Qatar
Tudo belo no final
E nós vemos os arranhões e mortes no meio.
Toda a vida injusta é vista.
E todo pano é passado
Para tentar compensar as atitudes ruins do nosso protagonista
O Martín.
E o aspecto sobrenatural
Tanto no sentido convencional
Quanto no de “não é natural a naturalidade com a qual isso é introduzido”
É confortavelmente inserido.
Tudo isso contando a história do um escritor
Contada por um dos melhores escritores.
Outro risinho de canto.
E não me apetece fazer um resumo do livro aqui.
Talvez nem me valha tentar convencer quem quer que possa ler esse texto a lê-lo.
Pois se não o fizer, me abstenho da culpa.
Mas eu apenas queria dedicar meu tempo
Não muito
Ou talvez sim
Mas provavelmente não
A falar sobre o impacto que a obra teve em mim.
Não é como se tivesse mudado minha vida.
Apenas
E ponha quantas aspas quiser na linha acima, desde que sejam muitas
Ou não
Foi um bom livro.
Ótimo.
Divino
Tal qual o nome sugere.
O final não é um spoiler.
Spoiler vem do inglês
Spoil = estregar.
Nunca fez tanto sentido o clichê do “a jornada é quem importa”.
Engraçado também que não dá pra estregar a jornada.
O caminho é muito bom.
A volta no final é de fazer chorar
Não que eu tenha chorado
Mas quis.
Que o caminhar siga mesmo.
Não é como se esse texto devesse ser visualmente bonito.
Não é como se sua leitura devesse trazer conforto a quem quer que seja.
Mas é como se eu tivesse transformado meus pensamentos em palavras.
Não de forma comparável a Zafón.
Pois triângulos são diferentes de quadrados.
Mas de uma forma que me abre o sorriso
Não precisa ser de canto.
Leia a coleção de Zafón
O cemitério dos livros esquecidos.
Aparentemente, a ordem não importa.
Mas só li os dois primeiros até agora.
Não que isso revele algo.
Não é como se eu tivesse conseguido por metade das metáforas que gostaria.
Não é como se a falta de pontuação em algumas frases fosse acidental.
E não é como se eu soubesse a hora de finalizar um texto.
