Crônicas do Parque: Imperceptibilidade de uma Grande Alma

Jp Santsil
Jun 20, 2017 · 2 min read

Em uma dessas manhãs de Yom Sheni (segunda-feira), em que se encontrava solitário sentado em um dos bancos no Parque de Kfar Saba, com a cabeça cabisbaixa apoiada em seus punhos. Sentia-se ignorado pelo mundo, já não era tão apreciado como antes. Algo lhe escapou ou foi-lhe roubado. As pessoas já não mais lhe presentearam com olhares de admiração e espanto.

_ O que aconteceu comigo? _ perguntou a si mesmo.

Se viu metamorfoseado como Gregor Samsa. Não em um besouro monstruoso. Mais em algo muito pior que ele não sabia muito bem o que era, mas que o tornara invisível, como se fora engolido por um grande peixe. Não fazendo muita diferença, pois também o tornava peçonhento.

Apenas era diferente e fazia a diferença. E por isso se tornou uma alienígena para os demais. Como um vagão que se desprende da locomotiva, decidira há tempos atrás pular dos trilhos e escalar a grande montanha. E assim era visto como esquisito, complexo e fora da lei.

Entretanto, não entendia o porquê de não ser compreendido. E o porquê do mundo não o querer como amigo.

As pessoas o temiam, pois ele se tornara o reflexo do correto. As pessoas o rejeitavam, pois ele se transformara no que elas mais temiam em um ser-humano, o espelho da sinceridade e honestidade.

Nele a verdade se externou. Abrindo a tampa do esgoto das personalidades. E, por isso, diziam umas para as outras:

_ Este não é divertido.

Por ter uma personalidade diferente, não era cínico. Por vezes, era muito inocente perante as maldades alheias, o que lhe protegia das armadilhas das más intenções da alma.

Mesmo sendo ignorado, era notado em todos os lugares. O ignoravam por inveja, medo, receio, ou para não lhe darem a devida primazia e poder merecido.

Ele nada disso entendia. Apenas sentia-se rejeitado pelo mundo. Porém, o Sagrado o acompanhava, protegendo o seu doce coração da maldade das diversas aspirações do ego humano.

O Espírito nele fez morada, com o tempo a sabedoria o despia de suas dúvidas e inferioridades. Até que alcançou a Maestria que o tornara distante dos demais, e deles alcançou a veneração, suplantando a admiração mundana. Erguendo-se como uma branca flor de lótus, além de suas folhas deitadas nas águas da ilusão, da grande piscina ecológica do parque da região da Rosa de Sharon.

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Onde me manifesto… sou como o entardecer, onde o vento passa ao silêncio da morte e as árvores vibram ao ver passar. Se não me manifesto… no nada tudo serei.

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