astral
deixa eu conhecer o mapa
das tuas cicatrizes
frutos das suas quedas, das duas crises
de alguns dias infelizes
seus troféus de guerra
recordações de quem tu era
pedaços que você perdeu por aí,
deixou cair
e amanheceram no sereno
me deixa ler o seu mapa terreno.
calcular a numerologia das contas de bar
que você errou
na hora de pagar.
quero traçar o trajeto das borras de café
que você derramou na mesa da padaria,
e o caminho que ce faz a pé
quase que todo santo dia.
me mostra o mapa das linhas das tuas mãos,
deixa eu ligar as pintas na sua pele como se fosse constelação.
quero o mapa das viagens que você só não fez
por conta da falta de tempo e grana
eu quero até os rastros dos seus sapatos onde era só lama!
é que no momento pouco me importa seu marte vênus lua
se eu primeiro não puder saber o mapa da sua rua.
