emparedada dentro de um corpo

onde a vida parece feita de

longos períodos de sufoco

e curtas horas de distração

instantes em que mal noto

o coração bombeando forte

ansioso por romper esse peito,

fugir de mim.

e como posso culpá-lo se

também queria poder escapar?

tendões e veias e eu atados

a um corpo que não reconheço,

uma pele coberta de marcas

cicatrizes de desastres, tragédias

eventos monstros e guerras

que em vão tentaram me matar.

talvez então eu seja de aço

e mais resistente do que escolhi ser.

sobrevivo: despedaçado, sangrando e

constantemente engolindo o choro

mas existo. estou aqui.

há tempos que perdi no caminho

o medo que eu tinha da morte.

com um pouco de fé eu peço:

só quero que isso acabe!

e a resposta vem do breu:

não vai acabar nunca.

ainda lamento que não suporto,

que assim não aguento mais,

mas a mesma resposta retorna,

diz que sim, que aguento sim

que tenho que aguentar.

)
    à beira de um ataque de nervos

    Written by

    transitória, itinerante, repelente de tédio. silencio porque devo e escrevo porque não aguento.

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