imagina você numa bicicleta
vermelha
pedalando o contorno da praia
com o mar nos olhos.
imagina girassóis na cestinha da bike
o sol no céu
cor-de rosa, laranja e azul
deixando muito assim, meio que
uma fotografia
em preto-e-branco.

imagina a nostalgia com nome
rosto
documento de identidade, cpf e inscrição pro vestibular
a nostalgia dançando por aí de cara pintada
de saia indiana
de pés no chão
olha lá a nostalgia rodando feito peão
fugindo num balão pra Amazônia
com um livro de Bukowski debaixo do braço
riso na cara e sem celular

pensa só na saudade
quebrada
(esse verso é inteirinho dedicado ao “adeus” que eu não te dei)
chorando baixinho ao lado da Jukebox
com uma garrafa de cerveja na mão e bebendo
assim
no gargalo, mesmo
com o rímel borrado
gastando tudo em fichas.

imagina aí eu-você-juntinho, sabe?
correndo por cima da ponte
fingindo que o mundo nem existe mais
maracas na mão
rumba na caixa
saindo passear vida afora.

(27/10/13)

à beira de um ataque de nervos

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transitória, itinerante, repelente de tédio. silencio porque devo e escrevo porque não aguento.