insiste em mim!
segura minha mão,
me pede pra ficar
escuta
meu choro compulsivo da madrugada 
engole minhas lamentações desconexas,
cala a minha boca.
me deixa um pouco em paz
e me deixa enlouquecer pensando
que você me deixou de vez
me perturba
me ganha
me arranha
me faz perceber
que nosso caos é melhor que o tom do tedio
se souber ser meu remédio, saiba
que eu nunca nunca
nunca acerto a dosagem.
insiste
mesmo se eu sair correndo
e disser que tenho medo
insiste mesmo se eu parecer louca,
insiste em mim.
insiste quando eu falo besteira
entende quando eu finjo
desinteresse
perdoa se eu sufoco,
por favor
mastiga minhas verborragias
(e meus lábios)
(e meus ombros)
beija minhas costas pela manhã
minha nuca pela tarde
me beija inteira pela noite
e insiste
em me mostrar que ainda há algo
quando estremeço acreditando que não há mais nada
se eu falo em abandonar o navio, diz
que a gente construiu esse barco,
mas por favor
minha única instrução:
me deixa notar que você
insiste em mim.

    à beira de um ataque de nervos

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    transitória, itinerante, repelente de tédio. silencio porque devo e escrevo porque não aguento.

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