trago em meu corpo
as cores e as curvas
de uma américa latina
que surgiu às custas de saques
de carne, riquezas e liberdades.

neste corpo ainda carrego
um alvo
carrego no meio das pernas
se tento esconder, está estampado
em meus seios, cintura, voz, quadris.
marcada, desde que nasci
um anjo torto ou deus ou o médico
sei lá
me falou:
vai ser presa fácil na vida!

Tem vagina.
É menina.

quem me fez mulher foi o medo.
o medo me seguiu na rua
o medo calou minha boca
o medo tirou minha roupa
o medo me adentrou fundo
o medo atou minhas mãos
o medo me paralisou
dominou meu corpo e pôs nele a culpa.

    à beira de um ataque de nervos

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    transitória, itinerante, repelente de tédio. silencio porque devo e escrevo porque não aguento.