questão geográfica

isto poderia ter sido previsto
pelo meu mapa astral
pelo mapa que formam
as linhas das minhas mãos
pela minha exata localização
no mapa-mundi.

era uma questão puramente
geográfica e
a gente não traçou a rota
pra saber onde ela dava

(muito embora por agora
já exista um forte palpite)

não, nós ficamos aqui e falamos de
lutas de livros lirismos
de modelos socioeconômicos,
relativismo cultural de sentimentos
que não entendemos e também não
nos esforçamos para entender

fumando cigarro atrás de cigarro
bebendo café até 11:30
bebendo vinho até 2:15
e depois vomitamos
e choramos
nos julgando responsáveis pelo destino de qualquer coisa

sem saber, é claro, que
tudo isso não iria
adiantar
absolutamente nada.

e não é curioso, isso, na vida
quando no breu na madrugada a gente
embriagada
esmurra o assoalho gelado e berra:
EU-NÃO-AGUENTO-MAIS!

e a despeito de tanto soco
e a despeito de tanto choro
a despeito de tanto grito tanto peso tanto leite derramado e tanto frio e tanta bituca que já nem cabe no cinzeiro mais.

não é curioso como gente
feito a gente
no final é obrigada a
sem mapa sem norte e sem força
rastejar pelo seu caminho
e descobrir que
aguenta sim?

    à beira de um ataque de nervos

    Written by

    transitória, itinerante, repelente de tédio. silencio porque devo e escrevo porque não aguento.