tenho um tanto de saudade
não sei o que faço com isso
se ponho num prato
devoro e digiro
se me enrolo, me visto 
e deixo estampada.

não sei se ignoro a saudade
ou te ligo
não sei se eu escuto
essa minha vontade
se tapo os ouvidos.

não sei se abro
mais uma garrafa,
passo a noite fora de casa
não sei se abraço ela
se mando ela embora
se escondo aqui dentro
ou boto pra fora

tenho um tanto de saudade
não cabe em peito ou em prateleira
não tem espaço
nem se eu cortar em pedaços
e enfiar na geladeira
a memória do computador
está cheia,
também.

o unico vazio que ficou tem o seu tamanho.
só que a saudade é maior.

à beira de um ataque de nervos

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transitória, itinerante, repelente de tédio. silencio porque devo e escrevo porque não aguento.