te quero

te quero da filosofia à estética
imploro sua poética 
quero escutar a fonética
da nossa foda frenética
as entrelinhas eróticas
numa posição exótica
eu te olhando a partir dessa ótica
me mata mais do que qualquer sintética
eu fico aqui, estática
desejando a energia da nossa cinética
e questiono a minha própria ética
mas eu não sei ser robótica
eu sou orgânica 
e desorganizada
ultrarromântica
e ultrapassada
pra disfarçar, faço piada
como quem não quer nada
mas é sério
se precisar, eu espero
meu deus, como eu te quero
da filosofia à estética 
mas mesmo se eu gritar
você nem vai acreditar?
por favor, não desacredita
meu amor, é como eu quero te chamar
será que eu posso?
será que dá?
eu não disfarço
mesmo quando tento disfarçar
quero sua pele preta no meu peito,
deitar no seu leito,
decorar seu jeito,
e matar o presidente eleito!
por que não?
que eu sou assim, meio movida pela emoção
faz tempo que eu perdi a razão
depois me perdi na minha própria confusão
você já me esqueceu, eu não 
e olha que a minha memória não é boa
se fosse outra pessoa
caía no esquecimento
mas eu desenvolvi um vício nesse sofrimento,
e na brisa de quando você sorri
e eu finjo que não to nem aí
mas como resistir?
e se eu tiver que repetir
mesmo que a poesia fique menos poética:
é claro que eu te quero
da sua filosofia à sua estética.