venho de um povo pequeno
guerreiro, moreno
e risonho mas que também 
chora no banheiro 
do próprio trabalho 
e cheira no buteco
pra engolir lágrima junto com cachaça
puxa pelo lóbulo a cria que faz pirraça
samba nos destroços da própria desgraça 
de gente que atira de dentro do baile
canela escura coberta de cinza
as bolsas pesadas de olhos que riem
carregam misto de pranto e pingo de suor
de pele de pêlos cabelos com cachos castanhos
esfrega-se o rosto na cara de estranhos 
e chama de beijo pra dizer 
olá 
não há nessa rua uma alma que nunca deu um trago
uma vida de cão, rebolado de gato
no céu tem sol de praia mesmo se não tem mar...
arranha-céu asfalto
fazenda cachoeira
prainha de rio
chinelo de dedo
na terra vermelha, na areia branca ou na pedra sabão
repete a historia num vicio maior que o do crack
caboclin se vende a preço de badulaque 
mas o mais importante é num arredar pé.

à beira de um ataque de nervos

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transitória, itinerante, repelente de tédio. silencio porque devo e escrevo porque não aguento.