Crônica de um golpe anunciado

Agência Brasil

Foi golpe. É golpe. É golpe pra caralho. That’s a fuckin’ coup.

Foi tanto golpe que na nefasta sessão — ou freaking show — de 17 de abril, a maioria esmagadora dos deputados usou desculpas esfarrapadas sobre “limpar o Brasil”, votar pela família, valores morais, por Deus — estamos na porra de um Estado laico -, no caralho a quatro. Mas não falaram no ~crime de responsabilidade.

Foi tanto golpe que o vice-presidente golpista, coautor do suposto crime, está aí, todo pimpão e tocando o puteiro. E para quem acha que quem votou na Dilma votou nele: é o caralho nessa merda. Foi eleito um plano de governo e ele, malandramente e de jeito indecente, se aproveitou da porra toda e abraçou o plano derrotado NAS URNAS. Sim, é golpe.

As ressalvas ao governo eleito, que respirando por aparelhos, são necessárias e fundamentais. Mas muito além da ~defesa do PT, dando nomes aos bois, está a defesa da democracia no sentido lato da coisa: estão se aproveitando de uma gambiarra para rasgar a Constituição.

É tanto golpe que Romero Jucá, um dos headliners do bagulho, admitiu que era necessário “estancar a sangria”, em alusão à Lava Jato, para o bagulho não ficar pequeno para geral. É tanto golpe que Anastasia, o Lance Armstrong de Minas, está responsável pela análise das ~pedaladas. É tanto golpe que meio mundo estava negociando uma parte no latifúndio político para bancar a farsa, putaria, farra do boi e qualquer merda como você queira se referir a isso. É tanto golpe que 299 deputados estão com o cu na reta e estão tentando se safar — ah, sim: essa porra é o congresso mais reaça desde 1964 (sim, o ano de outro golpe).

É tanto golpe que o ministro golpista da Saúde está alinhado com planos de saúde. É tanto golpe que já teve ministro golpista caindo. É tanto golpe que o excelentíssimo chanceler nefasto foi acusado de comprar a ~parceria do Uruguai no Mercosul. É tanto golpe que direitos trabalhistas serão jogados pelo ralo, assim como as (poucas) conquistas sociais, inerentes à população mais pobre. É tanto golpe que minorias serão (ou melhor: já são) fodidas sem manteiga.

É golpe, sim. Quem apoiou o golpe há alguns meses tenta jogar Temer no colo de quem votou em Dilma. Aqui não, trutão: você bancou e apoiou essa merda. Lide com as consequências da dança do patinho. É tanto golpe que se rolasse um remake de “Cavaleiros do Zodíaco”, um cavaleiro de ouro usaria o “Golpe das Pedaladas” como um dos recursos. A história mostrará para quem se recusa a admitir que foi golpe.

Essa porra é golpe. Foi golpe. E ponto.

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