"Eu ouço o piano lamentar e a folha em branco me fita buscando consolo para a solidão. O papel, consola-se, no entanto, quando a pena lhe deita palavras poetizando o tudo e o nada. “Porque tu me chegaste sem me dizer que vinhas” e deu alforria à solidão. Mas agora, onde estás? Onde estás, que não me dá o peito de travesseiro quando a noite rompe dura e fria? “Porque já eras meu sem eu saber, sequer.” E nessa solidão, eu passo os dias querendo ser teu, com o peito a pesar-me e lágrimas a empoçar meus olhos sem brilho. “Porque foste na vida a última esperança.” E tu, conheces, verdadeiramente o infinito da minha solidão, sabes muito bem que da vida, consolo algum eu conheci antes de ti. Então, por que não me usas, senhorita? Por que me trancas naquela caixa e me escondes debaixo da cama? Por que? E todas as cartas que me escreveste devotamente, onde estão? E os versos? Por que me escondes do mundo e o mundo de mim? Não me amanheces a alma quando a solidão me escurece na tua ausência. A tua primavera, que floresce longe de mim, não conhece o botão da minha rosa, que tu, se não por medo ou descuido, tens medo de romper e desabrochar em aroma e cor. O sol lamenta, senhor, por não poder brilhar em mim. Mas, onde estão as janelas que tu não abres? O outono em mim não desabrocha primavera, porque tu me esqueces nesse claustro de solidão e não me deixas florescer contigo.