O cigano Cláudio Adão

Claudio Adalberto Adão nasceu em 2 de julho de 1955 na cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Nunca teve gosto pelos estudos e, aos 13 anos, os abandonou de vez para ir morar com a tia na cidade de Santos. O inicio no futebol aconteceu em Cubatão, cidade vizinha, ainda com 15 anos, jogando pela equipe amadora do Unidos do Parque Fernando Jorge. De lá saiu para atuar pelos juvenis da Portuguesa Santista. Em partida contra o Santos, marcou 2 gols e foi levado para a Vila Belmiro em 1972.
Inicialmente como meio campista, por sugestão de Pelé, seu companheiro de time, passou a ser atacante, chegando a marcar por volta de 80 gols pelas equipes de base. Campeão paulista em 1973 foi imediato o surgimento de comparações com o Rei, sobretudo após o maior de todos os tempos se despedir da equipe alvinegra em 1974. Adão passou a ser um dos grandes nomes de uma equipe que ainda sofria da ausência Dele. Com 20 anos foi convocado para a seleção olímpica que conquistou os Jogos Pan Americanos de 1975 e o Torneio Pré-Olímpico de 1976. Possui uma media incrível de 14 gols marcados em 12 jogos disputados com a camisa amarelinha. Sua história no Santos e na Seleção, no entanto, acabaria em 2 de maio de 1976, em partida válida pelo campeonato paulista em São José do Rio Preto frente o América. Após uma dividida com o goleiro Luís Antonio, fraturou a tíbia e o perônio.
A recuperação foi demorada e já em 1977 quando estava em tratamento na Escola de Educação Física do Exército no Rio de Janeiro, surgiu o interesse do Flamengo, cujo técnico era o militar Claudio Coutinho, em contratá-lo. Sua estreia no rubro negro aconteceu em um clássico frente o Fluminense, derrota por 2 a 1, em partida amistosa, quando entrou no lugar do meio campista Tita. Na verdade, talvez seja possível considerar que sua verdadeira estreia tenha acontecido, poucos dias depois, em 31 de julho, quando formou com Zico a dupla de ataque na partida, válida pelo campeonato carioca, frente a Portuguesa Carioca. Juntos, a dupla marcou 2 gols, um cada, da vitória por 4 a 0. Era apenas o começo de uma parceria que fez história do Flamengo. Foi tricampeão carioca com o Mengo nos anos de 1978 e 1979, quando houve dois campeonatos, sendo artilheiro da competição em 1978, com 19 gols ao lado de Zico e Roberto Dinamite e vice-artilheiro da edição especial de 1979 com 19 gols novamente.
Problemas com a diretoria rubro-negra acabaram o levando, em 1980, a defender o Botafogo do Rio, durante o campeonato brasileiro daquele ano. Logo surgiu o interesse do futebol europeu e Adão se mandou para jogar no Áustria Viena. Ainda naquele ano, voltou ao futebol brasileiro, para atuar no Fluminense, onde foi campeão carioca, aliás, tetracampeão consecutivo e artilheiro da competição, com 20 gols.
Após um ano de 1981 no tricolor, ao final da temporada, seguiu para defender o ultimo grande carioca que ainda faltava, o Vasco da Gama. Após um bom campeonato brasileiro e atuar nas duas primeiras partidas do campeonato carioca de 1982, podendo ser considerado, campeão carioca, Adão foi contratado pelo Al Ainn, equipe dos Emirados Árabes, onde foi artilheiro, campeão e ficou até 1983. Contratado pelo presidente do Benfica, Fernando Martins, para atuar na equipe portuguesa, após apenas 2 meses disputando amistosos, foi reprovado pelo técnico sueco Sven-Goran Eriksson e acabou indo direto para o Flamengo. De volta ao rubro negro, Adão não conseguiu conquistar a titularidade da equipe, que ficou com Edmar.
Já em 1984 faria a sua segunda passagem pelo Botafogo. Atuou pela equipe da estrela solitária durante o campeonato brasileiro e posteriormente vestiu a camisa alvirrubra do Bangu no campeonato carioca daquele ano. Tinha 29 anos quando chegou em Moça Bonita para atuar em uma equipe badalada por conta dos altos investimentos de seu patrono, Castor de Andrade. Claudio Adão fez um ótimo campeonato, sendo o artilheiro da competição, ao lado de Baltazar do Botafogo, com 12 gols.
Começou 1985, atuando pelo Vasco da Gama durante o campeonato brasileiro. Já no segundo semestre voltou ao Bangu. Embora não fosse titular da equipe, Adão teve uma participação decisiva naquele time. O Bangu precisava apenas empatar a partida final frente o Fluminense, em 18 de dezembro de 1985, para conquistar o titulo estadual. Após sair vencendo e sofrer a virada no segundo tempo, o Bangu partiu para o ataque, e aos 46 minutos, após um belo lançamento de Marinho, Claudio Adão teve a chance de empatar o jogo, quando recebeu uma “gravata” do zagueiro tricolor, Vica. Todos viram aquele pênalti, exceto o arbitro José Roberto Wright, que deu continuidade a jogada. Resultado, Fluminense campeão carioca.
O futebol nordestino foi seu destino em 1986, mais especificamente, o Bahia. Foi campeão baiano e artilheiro da competição com 27 gols, e um dos destaques da equipe tricolor que chegou as quartas de finais do campeonato brasileiro daquele ano. Novamente em alta, foi contratado pela Portuguesa em 1987. Para quem ainda duvidava da eficiência do atacante de 31 anos, em 22 de março, marcou os três gols da vitória lusa por 3 a 1 sobre o Corinthians. Seu próximo destino foi o Cruzeiro, por quem atuou na I Copa União, o campeonato brasileiro daquele ano, chegando as semifinais da competição.
Em 1988, estava de volta pela terceira vez ao Botafogo e novamente teve uma passagem discreta no alvinegro. O regulamento do campeonato brasileiro daquele ano definia que após toda partida terminada empatada, teria que haver uma disputa por penalidades, com o vencedor ganhando mais um ponto. Embora já fosse cobrador de pênaltis nas equipes por quais passou, a frequência de suas cobranças passou a chamar atenção pelo fato dele não tomar distancia. Adão movia quase todo o seu corpo, próximo a bola, e chutava forte. Chegou ao Corinthians em 1989, onde teve uma passagem discreta, mas ainda assim marcante por conta de um gol de calcanhar em sua ultima partida, no clássico contra o Palmeiras, em 10 de dezembro, resultado que eliminou o rival da classificação para a final do campeonato brasileiro daquele ano.
Contratado pela equipe peruana do Sport Boys em 1990, Claudia Adão foi vice-campeão nacional e, aos 35 anos de idade, artilheiro da competição com 31 gols. Em 1991, de volta ao Bahia, foi novamente campeão estadual. Já com 37 anos, o folego parecia estar próximo do fim, quando passou pelo Campo Grande e em seguida, no Ceará, onde foi campeão estadual de 1992, junto com mais três equipes, o Fortaleza, Icasa e Tiradentes. Em 1993 voltou ao futebol peruano para atuar no Deportivo Sipesa, que tinha conquistado o acesso para a primeira divisão. O fraco desempenho de sua equipe e uma trágica morte de um amigo, em um acidente aéreo, o fizeram voltar ao Brasil, para jogar pelo Volta Redonda. Logo a seguir, no mesmo ano, defendeu o Santa Cruz durante o campeonato brasileiro.
Em 1994, o futebol capixaba foi seu destino, outro alvinegro, o Rio Branco. Já no ano seguinte, prestes a completar 40 anos, retornou ao futebol carioca, novamente no Volta Redonda, Foi titular na vitória da equipe do interior sobre o Fluminense, que viria a ser o campeão da competição, por 2 a 1, em 9 de março de 1995. Ainda naquele ano voltou para o Espirito Santo, para jogar na Desportiva Ferroviária. Encerrou a carreira em 1996, em sua terceira passagem no Volta Redonda.
Claudio Adão foi um cigano do futebol, um artilheiro nato em todas as 21 equipes, e mais seleção olímpica, em que atuou ao longo de 24 anos como profissional. Segundo seus próprios cálculos, 862 gols marcados, para outras fontes, 591 tentos, o que certamente o garante como um digno representante de qualquer lista dos maiores goleadores da história do futebol brasileiro.
