Se liga aí, não há inovação sem pessoas, tampouco sem gestão do conhecimento

Tenho sido responsável por implantar inovações em processos industriais e organizacionais de grandes organizações. Certa vez, em uma delas, a estruturação do sistema de tecnologia de ponta, nome dado ao modelo de gestão, em companhia de um grande colega de origem germânica me possibilitou conhecer em detalhes, distintas abordagens dadas à inovação em diferentes países e segmentos. Não foi difícil notar a pouca familiaridade e habilidade técnica de muitas empresas nacionais ao tratar do assunto, uma vez que, em sua grande maioria, ainda eram reféns da necessidade de haver tecnologia de informação embarcada.

Não por acaso, as primeiras inovações que implantei diziam respeito aos dados a serem obtidos junto aos vários equipamentos e pontos de controle que compunham boa parte dos processos já existentes. A partir deles seria possível estruturar informações. Estas, uma vez contextualizadas, gerariam conhecimentos. O fluxo evolutivo composto por dado, informação e conhecimento acabava por destacar o principal recurso presente em qualquer atividade, o humano. Apenas através dele é possível entender a relevância da informatização do processo, um importante requisito para a existência de um eficiente processo de tomada de decisão.

As pessoas são os elementos que permitem integrar inteligência à qualquer sequência de atividades. Isto pode ser feito, principalmente, de duas maneiras. A primeira delas, através das referências adotadas a partir das experiências já vividas, as chamadas lições aprendidas, os registros que passam a ser considerados ou admitidos como verdadeiros. A segunda, talvez, a mais importante, sugere, por mais paradoxal que possa parecer, justamente contrariar a primeira. Diz respeito a admitir exceções que fujam às regras previamente estabelecidas. Apenas ao ser humano é dado este dissernimento. Saber identificar exceções, eis um grande diferencial, que nos manterá sempre à frente de qualquer máquina.

Nesta oportunidade ao identificar esta relevância propus que o chamado sistema de tecnologia de ponta passasse a se chamar processo de gestão do conhecimento. Para muitos aquilo foi entendido como plena mudança de escopo, uma vez que, ao menos nas palavras, haveria a troca de tecnologia por conhecimento. A gerência de recursos humanos chegou a proibir esta proposta. O motivo era que gestão do conhecimento teria a ver tão somente com pessoas, considerado seu assunto. O fato é que pouca alteração seria promovida. O foco de nossa atuação girava em torno dos processos e as pessoas, por fazerem parte deles, também estavam em nosso radar por razões bem simples e óbvias. Apenas elas eram, e ainda são, os elementos transformadores. A inovação acontece devido a elas, seus interesses e predisposições. Também é possível afirmar ser perdulário buscar a inovação em qualquer atividade sobre a qual não se tenha profundo conhecimento. Por conta da necessidade em demandar a geração de riqueza, ela deve, necessariamente, atravessar por todo o fluxo formado por dado, informação e conhecimento. A partir daí, sim, na busca por um novo requisito, possamos ter, enfim, a inovação.

A saída encontrada para avançar sobre este obstáculo foi chamarmos o processo de gestão do conhecimento por um nome pouco rebuscado, memória técnica. Esta foi a única saída para que fosse possível desenvolver iniciativas em prol do fortalecimento da competência, o conhecimento em prática. Apenas ela tem condições de fortalecer o papel do capital humano e dar seu devido reconhecimento como parte mais valorosa de uma empresa. A multidisciplinaridade da gestão do conhecimento permite que ela permeie por vários campos, limitá-la às paredes únicas de determinado tema, seja ele qual for, é evidência de ignorância, na mais simples e óbvia definição desta palavra. E a inovação é seu passo adiante, sempre será.

Se liga aí….