Relatos sobre Stavigile.

Aviso: esse post fala sobre meu uso pessoal do medicamento e não deve ser usado como diagnóstico para quem procura tomá-lo.
Quarta-feira de uma semana comum: um gerenciador de tarefas com muitas coisas para fazer, vida desorganizada e cabeça que não consegue acompanhar o ritmo. Culpa e medo de não conseguir dar conta. Tudo isso eu poderia considerar como “normal”, ao tempo que me sinto pressionada por todas as minhas atividades e obrigações. Sou cercada de pessoas que esperam o meu melhor em todas as coisas: clientes, família, amigos, colegas que convivem comigo sempre me pedem algo. Sempre me dizem para pensar em alguma coisa diferente. Comecei a procurar como a medicina poderia me ajudar a ser melhor.
Conversei com um amigo sobre o uso que eu fiz de Ritalina. Remédio difícil de conseguir e que não vale a pena (pra mim) pelos seus efeitos colaterais. A ritalina é um tiro no seu cérebro. Ela vai te fazer trabalhar por 4 horas seguidas sem se distrair com nada. Absolutamente nada. Você fica focado no que decidir fazer e você vai conseguir terminar. O pico de efeito da ritalina vem na segunda hora e eu sempre senti que meu corpo reclamava de eu tomar aquele remédio: ficava irritada, não queria conversar com ninguém por que as pessoas podiam me atrapalhar, sentia tremores e suava. MUITO. Sentia como o meu corpo estava tentando expelir aquela substância. Como na época em que tomei estava começando com um projeto que me demandava muita dedicação eu aceitei os efeitos colaterais e bebia muita água para ajudar a combater o mal estar. O que eu deveria fazer foi feito com maestria, em tempo recorde e isso fez um bem para o meu ego que você não faz ideia. O principal problema da ritalina é que você sente o quanto está drogado. Eu sabia que a ritalina me deixava diferente. Quando o efeito vai passando eu sentia que minha vida estava acabando. Você vai ficando lento, quer ler, quer escrever e não consegue. Tudo distrai, você começa a se sentir cansado, de repente bate um sono incontrolável e eu me sentia…virando abóbora novamente.
“Estou ficando burra de novo” — eu pensava. Agora imagine, para quem trata de depressão e ansiedade a quase cinco anos, esse tipo de pensamento começou a colocar muitas outras coisas em risco. Precisava de uma alternativa que não me deixasse tão destruída. E precisava continuar produzindo, criando, me relacionando. Apresentando ideias, interagindo em reuniões, sendo prestativa.
Já tinha lido alguma coisa breve na internet sobre Stavigile, mas comecei a me aprofundar quando um amigo comentou comigo que queria comprar da gringa. “- guria, vamo raxa?” — ainda tive dúvida pois os relatos que encontrava na internet diziam que aquilo era a pílula da inteligência. Estudantes, residentes de medicina, empresários, concurseiros estudando, sei lá, 24 horas seguidas sem qualquer tipo de contrariedade.
“-Bom demais pra ser verdade, deve ter algo estranho nisso”.
Quanto mais eu lia, mais eu percebia como os usuários do medicamento estavam satisfeitos com o uso e atingiam os seus objetivos. Para conseguir comprar uma caixa de Stavigile eu tinha que encontrar um médico psiquiatra, neurologista ou clínico geral que não tivesse problema em me dar a restrita receita amarela. Eu tenho alguns anos de experiência com medicamentos controlados, mas nunca tive tanto trabalho para conseguir comprar uma medicação como foi para o stavigile. Passei por quatro consultórios que me negaram o uso, inclusive um dos médicos brigou comigo e disse estar respondendo um processo por ter receitado a alguém que não precisava e teve problemas. Com muito custo eu consegui o contato de uma médica que faz esses exames de admissão e demissão. Contei meu caso com detalhes, disse que a ritalina tinha me complicado muito mas que eu não estava conseguindo render o quanto gostaria/precisava. Aliás, a ritalina me viciou MUITO. Tome cuidado, o efeito é maravilhoso e você pode querer tomar um a cada quatro horas. Por favor, não faça isso, PRINCIPALMENTE se você tem problemas de ansiedade, depressão ou síndrome do pânico. As consequências podem ser sérias.
Saí do consultório com a receita- “ até que enfim, agora é procurar o melhor preço”. Se você pesquisar bem, vai encontrar a opção de 100mg com 30 comprimidos por 80 reias comprando legalmente. A versão de 200mg é mais que o dobro do preço. Meia hora na farmácia: cadastro, sistema, assinatura da farmacêutica, carimbo da RECEITA FEDERAL (?), minha assinatura.
“-Certinho, moça?”
Maravilha.
“-Você pode me dar um copo de água?”
Por conta da consulta eu cheguei mais tarde no trabalho nesse dia. As minhas tarefas atrasadas ainda estavam todas lá, me ameaçando. O dia não rendeu e eu fiquei preocupada. O primeiro dia que eu tomei não senti diferença nenhuma. “-Porra, gastei a maior grana nisso. Será que tomei errado?”
Depois do expediente eu tinha um workshop pra ir. No caminho “- ah, acho que vou tomar outro.” Em pouco mais de vinte minutos eu me senti disposta e motivada como nunca antes. É até difícil descrever. Participei de todas as conversas do evento, fizemos muitas coisas legais e eu não senti um pingo de cansaço. Conseguia anotar e ouvir o que a palestrante dizia sem nenhum tipo de conflito. Total absorção do conteúdo, auto-confiança, bom humor. E sem taquicardia, sem sudorese…parecia mesmo que eu tinha começado a sentir o efeito do stavigile.
Cheguei em casa do evento e pensei “-realmente preciso limpar essa cozinha e não estou com um pingo de sono ou traços de cansaço”. Quando terminei tudo, fui tomar banho. O banho me fez mais bem ainda; quando fui pro meu quarto, arrumei algumas coisas jogadas e fui estudar. Até então eu nunca tinha conseguido estudar na cama, com cobertas e todo aquele conforto que me faz esfregar os pézinhos de sono. Li 49 páginas em 2 horas. Quanto mais eu entendia do assunto que estava lendo, mais eu me animava por estar rendendo daquele jeito. Anotava, grifava, tive varias ideias durante esse processo. “- Bom, já são 3h da manhã…”. Eu não estava com sono, mas estava com muita fome e muita dor nas costas, decidi que deitar seria a melhor opção.
Demorei pra dormir e percebi que meu corpo estava muito quente. Igual quando a gente toma ácido e tenta dormir. Acordei as 06h30 e pulei da cama totalmente desperta. Eu poderia jurar que tinha dormido no mínimo 10h para me sentir daquele jeito. Bom, bora pro trabalho então. Tomei o remédio e fui. O meu corpo estava tão descansado, eu me sentia com a cabeça tão boa! Fui o caminho todo em pé no ônibus por opção. Olhava pro pessoal e pensava “-caralho, esse povo tá cansado demais, melhor que viajem sentados mesmo”.
Ao chegar no trabalho comecei a colocar tudo em ordem. E meu Deus, que delícia concluir as tarefas. Não tive problemas de distração, não tive nenhum tipo de nervosismo ou ansiedade por ter tantas coisas para fazer por que eu simplesmente as fiz. Nem quis almoçar fora do escritório por que estava me sentindo tão bem fazendo meu trabalho que eu simplesmente não queria parar.
Uma cliente marcou uma reunião para as 18h30. Começamos por volta as 19h. Antes do pessoal chegar, mais 100mg. A reunião foi maravilhosa e falamos até as 21h30 e eu me senti empolgada para fazer o projeto dessa cliente acontecer. Produzimos muitas ideias, definimos pontos importantes do processo e conversamos muito. Rimos…eu percebi que a minha motivação fez com que os clientes se sentissem a vontade. Inclusive, acabei de receber uma mensagem da cliente agradecendo pelo apoio.
Saí da agência e fui direto pra casa, mas com a cabeça em ordem. Muitas ideias rolando e aproveitei para fazer uns contatos. No caminho, continuei colocando a leitura em dia e de novo, total absorção. Ao chegar em casa, tinha que colocar roupa pra lavar e meu quarto tava uma zona. Depois disso e do banho eu realmente decidi dormir por que estava começando a me sentir cansada. Entendi por que no primeiro dia de uso eu dormi sei lá, 3–4h. Claro que o corpo reclamou e eu respeitei. Vamos dormir.
A segunda noite não foi tão difícil para pegar no sono. Hoje pela manhã o relógio despertou e eu pulei da cama. Tomei um banho, saí no horário, passei na panificadora e vim para o trabalho. Mais uma vez me senti totalmente descansada e disposta. Os relatos que eu vi do uso são bem parecidos com a experiência que eu estou tendo. Aparentemente o Stavigile não vai “te cobrar” pelas horas que você não está dormindo. É como se você pudesse ligar e desligar sua cabeça quando quiser.
A comunidade científica é bem dividida sobre o uso desse medicamento pois não existem estudos sob seus efeitos a longo prazo. Mas até então não li nenhum relato negativo sobre isso, então não estou com medo.
Efeitos colaterais
Sim, o uso dessa medicação pode provocar efeitos indesejados. Tudo isso que eu passei nesses três dias de uso foi lindo e eu vou continuar tomando. Mas é importante dizer que tive alguns contratempos como falta de apetite, enjoô, dor de cabeça e tremores. Até onde eu li isso é normal no começo e nos próximos dias devo apenas ser beneficiada. Assim espero.
Pretendo continuar escrevendo aqui sobre isso por que eu realmente acredito que pode ajudar muitas pessoas. Estou disponível para conversar sobre isso também, mas isso é um relato PESSOAL e não deve ser usado como verdade absoluta. Cada organismo vai responder de uma maneira. Pra mim vale a pena e eu estou muito esperançosa com tudo que vou poder fazer tendo esse plus no cérebro. Na internet tem muito conteúdo sobre as “smart drugs”, então outros informações podem ajudar.