Se for pra ser, eu quero é mais.
Hoje, especialmente, gostaria de escrever sobre responsabilidades.

Sempre fugi. Sempre chorei, esperei que outras pessoas resolvessem os meus problemas. Nunca quis enfrentar as coisas ruins que o cotidiano, tão covardemente, jogou em minha cara.
Desde criança, na época em que os meus pais moravam juntos, eu fui protegida. Nasci um pouco doente e pequena, e por isso todos da minha família faziam de tudo para que eu nunca tivesse qualquer tipo de problema ou dificuldade. Cresci colocando meus pais em um pedestal e o meu conforto em primeiro lugar. Cresci num ambiente familiar incrível (ainda que cheio de mentiras), onde eu e minha irmã fomos educadas e bem cuidadas. Sempre tivemos dificuldades financeiras, mas nunca passamos fome ou frio. Nossos pais sempre estavam preenchendo as lacunas do que poderia nos fazer falta.
No início da minha adolescência minha vida mudou radicalmente, e com ela, minha visão sobre o mundo. Descobri, em apenas uma tarde, que as pessoas mentem, traem, roubam, destroem o que é seu sem dó nem piedade. Descobri que nos momentos mais difíceis da vida você não consegue ser quem você pensa que é, não consegue falar, não consegue entender. Só ódio e tristeza.
Dali em diante eu me vi em algumas situações que deixaram marcas, e em todos esses momentos parecia que a vida estava me dizendo:
— “ você vai ter que ser mais forte que isso, caquinho” (como meu pai costumava me chamar sempre, e me chama atualmente quando fica um pouco bêbado).
Todos os meus traumas foram necessários para que eu pudesse ter algo para escrever aqui hoje. Estou me expondo? Provavelmente. Mas esse é o tipo de coisa que a maioria das pessoas não tem paciência para ouvir; e eu também não tenho muito jeito para falar sobre tudo isso sem acreditar que eu estou me vangloriando por alguma coisa. Grilo meu. Um dia, quem sabe, eu possa entender isso também.
Hoje é um grande dia pra mim. O dia em que uma grande responsabilidade chamou pelo meu nome e eu não fugi. Não só pela parte financeira, mas pela prontidão em resolver problemas que dizem respeito à minha vida. No meio disso tudo, acabei descobrindo que ficar com raiva me faz realizar coisas. Faço “só de raiva”. Orgulho em seu estado mais puro. Fazer algo para aparecer. Mas não mais para os outros, aparecer para mim mesma.
Me olhar no espelho e não ficar lembrando dos elogios que já me fizeram, mas acreditar do fundo do coração que eu realmente estou melhorando. Tudo que eu já passei fez com que eu pudesse falar sobre isso hoje. Mas pareço estar sendo repetitiva.
Os próximos três meses da minha vida serão bastante complicados. Assumi um compromisso financeiro com o qual não posso faltar, e que nunca antes tinha assumido. Mas tenho orgulho. Porque sei que se essa situação está em minhas mãos hoje, é para que eu mesmo resolva. Autonomia.
Vai lá, resolve, e pronto. Próximo passo.
Eu nunca me senti orgulhosa antes. Sempre me culpei, sempre me cobrei demais. Sempre olhei tudo na minha vida, as minhas conquistas e feitos, como coisas irrelevantes. Hoje, pela primeira vez na vida, eu estou orgulhosa dos passos que dei e do caminho que estou trilhando.
Era sobre isso que eu queria escrever hoje.