Bem mais que meus 20 e poucos anos.
No que me cabe, todas as escritas sobre auto-conhecimento são um conjunto de bobagens sem precedentes. Interpreto simploriamente que a existência precede a essência, mas aí vão doses homeopáticas de sabedoria à la Augusto Cury feelings.
Primeiro eu sou, existo, sou verbo, constituo, para então pensar sobre as ações inerentes de viver. Tal qual como crianças agimos pelos instintos para então percebemos que podemos agir pela crítica, reconstituir os passos e recriar a existência a partir de uma unidade de pensamentos. A priori me construo para só então refletir.
Deixo as discussões sólidas da filosofia a quem tem prioridade e parto da minha existência para o clichê da auto-ajuda que tanto desprezo: auto-conhecimento é poder. Esqueça todo o resto. Conhecer-se é o caminho mais lindo, poético e dilacerador para a famigerada felicidade. O processo é doloroso, a possibilidade de variáveis que levam ao não conhecimento são infinitamente maiores que o simples “ouvir a si”, mas vá por mim, é lindo. Opte pelo caminho inverso da boiada, e lembre-se que o eu foi o primeiro contato com a noção de humanidade. E numa vibe espírita deveria ser o lugar pra onde retornamos.
Aos 23 anos me descubro. Ouso dizer que a cada novo rompante de felicidade, a cada insight, há um novo florescer comovente, um pedaço de mim inaugurado, um novo cômodo invadido. Sorrio e sinto vontade de sair pelas ruas, numa tarde chuvosa, espalhando as novas que tenho me esforçado para construir a casa mais preciosa que alguém pode ter: o meu eu.
Descubro tamanha intensidade que finalmente consigo entender o porquê de sentir o sangue nas veias ao expor minhas paixões. Aliás, algumas vezes mais parece uma tempestade tamanho ao prazer, ao sentimento, a força que emprego no existir. O que era motivo de repressão, agora é motivo de grito. Intensidade é um traço pequeno de uma personalidade extremamente forte.
Descubro força. Força de quem prefere a serenidade do passar monótono dos dias, mas está sempre alerta para os tiros da vida. Agora entendo a serenidade frente as verdadeiras tormentas da vida.
Descubro expressão. Os dedos gritam pelo teclado, oração após oração é uma concretização real do que meus olhos veem, de como sinto o mundo. É um holograma perfeito do que mora em mim.
A escrita é egocêntrica por ser resultado simples de minha expressão. Nestas palavras moram uma partícula ínfima da humanidade. Ao abrir a alma para o mundo, abro também a condição por todos nós partilhada. Foi o conhecimento de ser, constituído e constituinte, que me trouxe aqui.
Se pudesse, tal qual como Messias, como um andarilho que compartilha seu saber em papéis puídos pelas ruas ou como um compartilhador compulsivo de mensagens nas redes sociais, escreveria um bilhete da sorte em todos esses canais e diria: conheça a si. Humanidade, trago boas novas! Conhecer a si é arma mais emponderadora, revigorante e mais inabalável. A travessia pela vida será um eterno ressurgir porque o forte que suporta os abalos não muda de lugar, não se segura em padrões pré-estabelecidos de vida, em verdades tolas, em torpor e profundidades de pires. O forte é a única coisa que ninguém jamais nos tira: o seu eu.