#Divaga 5.

Com o coração, dialogas:

Este coração que fez de sua grandeza a fortaleza das deselegâncias do amor. Briga, agora, com os calejos que recebe. Distraído e imerso em si, se deixa acometer por pragas que o fazem cego de si, dos eixos e de razão. Lá está a caminhar frente ao abismo de suas carências e da vontade de ser grande.

Não faz por mal, Coração, acreditar pela honestidade de ser, quem sabe do estar e do planejar. Sei que te pões em tudo e te pões aberto, mas vês os teus calejos e te preservas. Acredita que te custa menos aceitar a hostilidade do que paira fora, do que a que te deves tomar em sentido de proteção. Pelo decorrer da experiência não te cabe mais cair tantas vezes perplexo. Te corrige com esta dose de cinismo que cá te dou.

O amor tende mesmo a ser deselegante por ceder aos caprichos do ego, ao sôfrego da paixão e por ter feito morada na mais falhas das criaturas. Entenda, Coração, que neste enredo, de repente sofre o amor muito mais que tu. Ele que se personificou apenas por existir o homem agora está preso num emaranhado profundo de confusão. Sua forma admite parte na filosofia, parte no humano, parte na história e a maior parte em inverdades. Pega como acalanto este fato e entende que ele desta existência não se salvará.

Tu, por outro lado, talvez tenha conserto se te consolas que tantas vezes irá se quebrar. Sangrar em gozo e em prantos. Pedir aos soluços que cesse a dor, as ânsias e quando logo puderes estará lá sorrir abobado ao perigo, perdido em encantos. Te abraçará ao carnaval, sabendo que o diabo logo espreita. Talvez se tu e o amor fizerem um trato de rir frente ao ridículo do que são, será mais fácil essa caminhada.

Sim, chega dos sussurros e dos teus reclames de nobreza. De repente podes fazer poema da tua dor. Ora será mais grandioso partilhar do que esconder, mais viverá ao expandir. Aceita e assim segue com teu sorriso mais aberto e o interior calejado.