Get Lucky

A expressão só cabe se imaginada com sorriso safado.

Fazia algum tempo que não encontrava aquele parceiro. Aquele do sexo fenomenal que se suspira ao final do dia seguinte no misto de excitação e saudades. Comentou na academia a impressão de as pessoas estarem transando muito mais e com muito menos primor.

— Aquilo era uma arte, precisava ser estudada e desenvolvida. Safadeza exige um requinte. Talvez os que tenham ficados presos na linha da saciedade ainda não se deram conta do estudo complexo que vem a ser a técnica de ser amante. Assim foi o teor bruto de seus argumentos.

No deslizar da timeline e troca de likes, surgiu o papo sobre qualquer assunto intermediário que destina ao que realmente importa: “quando podemos nos ver”. Era fã de queimar etapas, pertencia ao time que acreditava que sofá, cerveja e duas pessoas à vontade rendia mais que um encontro esquematizado em agradar o outro. O “você pode vir pra cá” renderia mais que qualquer promessa de jantar.

Em respeito ao pleno discorrer da safadeza pura e puta. Aqui a narração queima a etapa da conversa que introduz as preliminares que arderam as peles em tapas trocados pelo controle do ato. Ela certa que uma bela bunda arrancaria o fôlego e ganharia a disputa, encaixou as pernas em volta do quadril largo e ofereceu às palmas dele suas nádegas inquietas, ao que responderam no espalmo que diz “mexe” e completando verbalmente com o “muito gostoso e sem parar”. Antes que ela conseguisse fazer a pausa estratégica da respirada, aquela quando a coxa começa a reclamar, foi posta de costas em ritmo lento, de toque aos cabelos à língua percorrendo todo o corpo suado. Da língua ao toque, do toque a penetração suave em que todas as peles conseguem sentir o encosto da fricção até que os quadris se tornem impacientes ao movimento frenético de cada vez mais profundo. Em dois movimentos atingiram o ápice de latejar os interiores e beber os líquidos do outro.

Era o idioma perfeito, impassível de falhas, movido a gemidos. Apressaram-se em despedir-se. Ao que parecia toda conversa sobre o ímpeto ocorrido estragaria a aura do momento mágico que ao menor estalo poderia se esvair. Não combinaram um novo encontro em seguida. As palavras não cabiam.

Dormiu, suada, com cheiro que não era seu. Satisfeita.

Drummond nos perdoe, em matéria de plena putaria: é preciso ser amante e saber sê-lo.