A triste geração que está sendo convencida de que não sabe amar
Laura Pires
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Laura, adoro a estrutura dos teus textos. Sei que são muito movimentados, então deve ser complicado que você consiga responder a todos.

Pois bem, é muito bom sempre pensar as relações tradicionais fora da caixinha. Pela formação e por acreditar que o homem faz sua vida por meio da história, sei que os sentimentos convencionais podem servir (em um plano maior) à relações que não necessariamente estão restritas a um casal, por exemplo. Dentro da sociologia sabemos que cada pesquisador tem um viés específico para leitura das relações. Pessoalmente me identifico com o Bauman no que toca à leitura acerca da fluidez das relações. Embora possa se fazer a crítica em relação à perspectiva pessimista dele, é inegável que a fluidez nas relações é uma característica de nossos tempos pós-modernos.

Mudam-se os tempos e as convenções e a forma das relações começam a se basear em pressupostos diferentes, como você bem fala. Casamento costumava durar porque era necessário que durasse simplesmente porque a ideia de rompimento pouco cabia. Hoje os tempos são outros, trabalha-se com a noção de que as pessoas podem e devem procurar o término, caso não seja a opção mais saudável, mais feliz e etc.

Mas me parece que apesar de toda a leitura sociológica e histórica, a ideia de amor, num plano mais íntimo, é mesmo um tanto equivocada porque toca mais a relações de posse, de pertencimento, de alimento do ego do outro, de camuflar questões pessoais dentro do relacionamento para evitar olhar para si e etc. Neste plano, eu sou um pouco cínica porque vou desconstruindo até onde me determino como presa às convenções e o que realmente sobra de afeto.

Enfim, adorei e adoro seu conteúdo.

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