Poesia para o corpo

Por algum tempo ela tentara compreender o mal estar pulsando em suas veias e a respiração embargada ao acordar. O acúmulo de sensações lhe afligia mas ela permanecia esguia, seguindo em frente, com a esperança de que em, algum momento, aquele conjunto de emoções se dissipariam do mesmo modo que surgiram. Brevemente.

Mais um dia se iniciava e ela desejava apenas desfruta-lo de maneira simples. Ultimamente lhe ocorria a ideia de passar algum tempo sob o sol pouco depois de levantar, mas era algo que lhe corria o pensamento e logo sumia. Pensara em caminhar por aí, sem rumo mesmo, apenas para observar o mundo fora de seu quarto. Observar as pessoas caminhando, crianças correndo, carros indo de lá pra cá, ônibus deixando passageiros, passageiros olhando a vista da janela… Caminhar lhe causava um bem danado, apesar de não compreender muito bem a necessidade humana de se chegar em algum lugar. Sair de casa para ir a tal lugar. Trabalhar. Estudar. Visitar alguém. Gostava de sair sem ter para onde ou decidir ali mesmo na saída o seu destino.

O estresse lhe parecia algo quase impossível de anular naquele ambiente. Era estresse ao pegar ônibus ou no transito ao sair de carro. Estresse na fila do banco, do supermercado. Estresse no shopping superlotado, no cinema. Estresse da tevê sempre com as mesmas manchetes. Estresse no trabalho…

O desgaste emocional lhe tirava um pouco do eixo e não havia receita que o solucionasse. Então, buscava dentro de si alternativas… Música. Caminhar. Correr. Dançar. Cantar. Desenhar.

A arte lhe abraçava nesses momentos. Saindo de casa, decidiu fazer uma pausa, eliminar toda e qualquer imagem mental estressante da cidade grande.

Fechou os olhos. Sorriu levemente. Respirou fundo.

Lembrou: é primavera!

Flores lhe banharam o rosto. Saiu.

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