Uma monocova

Poucas pessoas eram capazes de perceber. Nem todos os sorrisos podiam revelar. Mas lá estava ela. Ela quem? Ela o que? Ela. Uma pequena e discreta covinha escondida no canto esquerdo do rosto, próxima a seus lábios. Ah, mas quem diria! Para qualquer um que buscasse conhecer, essa era, na verdade, uma falha na pele humana. Que bela falha, talvez a única. Feliz daquele que pudesse vê-la. Não somente ela, mas em conjunta harmonia com aquele par de olhos escuros, segredos eram revelados. A profundidade de um oceano nada seria se comparada a seu olhar. Veja bem, não falo de seus olhos em si. Este está ligado única e exclusivamente a critérios estéticos, como cor, tamanho e forma. Já o olhar é e revela muito mais que isso. Transborda emoções. Palavras. Confissões. Porém, nem sempre torna-se possível viajar dentro dos olhos de uma pessoa, não quando separadas pela distância. Ainda assim, para ela, palavras se ditas na hora certa eram capazes de obter o mesmo efeito de uma intimidade ímpar. Não poderia reduzi-la a uma simples descrição física, havia muito mais escondido dentro daqueles olhos, daquele sorriso, naquela covinha. Solitária falha de uma bochecha só.

Rascunho, 2012/2013

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