Juliana
Juliana
Aug 22, 2017 · 4 min read

Consultora de amamentação

Como foi a minha experiência

No último trimestre da gravidez começou a cair a ficha de que em breve eu teria meu filho em casa comigo. Comecei a pensar menos no parto e mais no que viria depois. E foi aí que surgiu minha preocupação com a amamentação.

Lembro da minha obstetra dizendo “vocês se preocupam com o parto, mas treta mesmo é a amamentação!”. Como na gravidez as pessoas mais aleatórias do mundo se sentem totalmente à vontade para dar conselhos, eu ouvi os clássicos “esfrega bucha pra preparar o peito”, “já vai passando a pomada de lanolina”, “se prepara porque dói muito”, “compra a concha hein?”, entre histórias tenebrosas que prefiro não reproduzir.

Na consulta com a pediatra neonatal, eu perguntei sobre a amamentação. Ela mandou eu deixar o peito quieto e ler sobre o assunto. E disse que eu podia chamar a consultora de amamentação pra ir na minha casa depois que saísse do hospital.

Antes de ficar grávida eu nem sabia que existia consultora de amamentação. Pra mim amamentar era que nem na foto: pega o bebê, coloca no peito e pronto. E confesso que a primeira vez que ouvi falar sobre consultora pensei “pronto, não tem mais o que inventar mesmo”.

Então no último trimestre eu li e pesquisei bastante sobre amamentação.

Recomendo o “Manual prático de aleitamento materno”, do Carlos Gonzalez, e os sites www.amamentareh.com.br e www.maepop.com.br .

Comprei sutiãs de amamentação, poltrona (não a clássica porque achei brega) e almofada. E achei que já sabia tudo sobre a pega correta e que ía dar tudo certo. Mas já tinha decidido que chamaria a consultora muito rápido caso percebesse qualquer problema. Sabia que se deixasse ferir já era.

O Lucas nasceu e mesmo sendo uma cesárea veio logo pro meu peito. Eu toda atrapalhada, louca, emocionada, lembro de perguntar “deixa quanto tempo mamando?”. Não lembro da resposta.

O fato é que quando o bebê chegou eu não sabia o que fazer. Não sabia quando colocar no peito, não sabia posição, não sabia que horas trocava de peito ou tirava.

Eu lembrava que o bebê tinha que fazer a pega correta, pra mamar efetivamente e não me machucar. A boca tinha que ser de “peixinho”, precisava abocanhar toda a auréola. Mas eu não sabia como fazer isso.

As enfermeiras entravam no quarto e eu perguntava se estava fazendo certo e elas diziam que sim. Mas eu já sentia dor, meu peito estava ficando ferido. Eu sabia que não estava certo.

Quando a pediatra foi no hospital no dia seguinte para dar banho, eu disse que achava que estava fazendo errado. Ela, com a maior habilidade do mundo, encaixou o bebê no meu peito. Percebi na hora a diferença entre a pega correta e a incorreta.

O problema é que, mal ela saiu do quarto, eu não sabia repetir o que ela tinha feito com tanta facilidade. Naquele mesmo dia mandei uma mensagem para a consultora, perguntando se ela podia ir na minha casa no dia seguinte, eu já estava toda atrapalhada e meu peito começando a ficar machucado.

A primeira noite em casa com o bebê parecia um pesadelo. Ele chorava o tempo todo, meu marido embalava, mas queria mamar toda hora. Parecia que meu leite (ainda era colostro) não era o suficiente, eu achava que meu filho chorava de fome, estava exausta. Foi desesperador.

Eis que no dia seguinte a Kely chega na minha casa e muda minha vida. Sério.

Ela passou duas horas conosco. Ensinou como fazer a pega correta; posições para amamentar; fez um ninho para meu filho dormir no berço; mostrou como fazer o “charutinho” pro bebê ficar calmo; explicou que amamentar deitada iria ser maravilhoso; falou que podia tomar vinho e comer chocolate; ensinou a dar banho no chuveiro; me deu a dica valiosíssima de colocar o repolho congelado no sutiã quando o leite descesse (sei que parece bizarro, mas funciona demais); disse que a aquela pomada de lanolina eu podia jogar fora porque não adiantava; mandou eu ficar com os peitos pra fora e passar o próprio leite pra cicatrizar a pequena ferida que estava começando a se formar.

Mas mais do que isso. Ela me acolheu. Me tranquilizou. Me deu segurança. E foi fundamental para que a nossa amamentação esteja sendo um sucesso.

Eu recomendo para todas as minhas amigas grávidas que contratem uma consultora. Amamentar não é fácil. É uma treta. E ninguém precisa passar por isso sozinha.

Sei que existe a questão financeira. Para quem pode pagar eu garanto que será um dos melhores investimentos da sua vida. Da minha foi.

Quem não pode pagar, procure um banco de leite. Frequente grupos de apoio. Em São Paulo há vários gratuitos. Só não fique sozinha nesse momento. Amamentar não é tão simples quanto parece. Mas pode ser maravilhoso.

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