Dias fáceis e dias difíceis
A montanha-russa do puerpério
Desde a gravidez que leio e escuto que “vai passar”. Esse é o mantra de muitas mães e entendo que funcione para manter a sanidade. Mas eu particularmente não uso esse mantra. Prefiro pensar em dias difíceis.
A primeira razão de eu não gostar do “vai passar” é que me dá a sensação de querer que o tempo passe logo. E acho que ele já corre tanto. Outro dia olhava as fotos do meu filho recém-nascido (ele não tem nem três meses) e já sentia meu coração apertado. “Já passou.”
Outra razão é que o desenvolvimento emocional, intelectual e psicológico das crianças parece muito menos com a curva do pediatra e muito mais com uma espiral.

As crianças não vão “para o alto e avante”. Elas retornam a hipóteses anteriores o tempo inteiro, fazendo avanços que nem sempre ocorrem da maneira que imaginamos. Por isso muitas vezes parece que andamos dois passos para frente e um para trás.
Vou dar um exemplo para ficar mais claro. O bebê começa a acordar apenas uma vez durante a noite para mamar. Aplausos e pulos de alegria! A fase de acordar a cada duas horas “já passou”.
Mas acontece alguma coisa, na verdade qualquer coisa: um salto de desenvolvimento, um pico de crescimento, vacina, virose, gripe, um dia agitado, visitas longas…Enfim, algo que desestabilizou seu bebê. Resultado: ele acordou a cada uma hora e meia para mamar.Reação da mãe: pânico, decepção, raiva… “Essa fase não tinha passado?”
Passou. Mas voltou. E pode ser que volte em outros momentos. Talvez a noite seguinte seja ótima novamente. Talvez ele passe uma semana assim.
O desenvolvimento infantil não é linear. É crescente, porém em alguns momentos a criança volta a comportamentos anteriores. E logo depois retoma suas conquistas.
Assim, por aqui eu tento viver o puerpério um dia de cada vez. Há muitos dias difíceis. Outros mais fáceis. Um dia por vez.
