Juliana
Juliana
Aug 25, 2017 · 2 min read

Não recebi visitas. E não fiquei sozinha.

No final da gravidez me angustiava a ideia de receber visitas na maternidade. Eu não sabia como seria meu parto e achava que não queria um monte de gente ao meu redor no quarto do hospital. Então já fui avisando que talvez eu não quisesse receber visitas.

No começo fiquei preocupada que todo mundo me achasse antipática. Muita gente me falava “mas é melhor receber visita no hospital porque aí você não precisa receber em casa”. “O bom é que visita no hospital é coisa rápida, dez minutos.” Mas então o objetivo era se livrar da visita? Riscar da lista o nome de quem já conhecia meu bebê?

Conforme as longas semanas finais foram passando (meu filho nasceu exatamente com 42 semanas), fui tendo cada vez mais certeza da minha decisão. Eu estava demorando tanto pra conhecer meu filho, queria ficar com ele quando chegasse. Queria ter tempo de conhecê-lo. Queria que meu marido pudesse ficar com ele no colo o quanto quisesse.

Claro que essa é uma decisão muito pessoal. Conheço mulheres que na maternidade estavam ótimas e queriam receber visitas.

Meu parto foi muito longo. No final eu estava exausta e desnorteada. Foi muito bom ter tempo e espaço para nossa nova família.

No dia seguinte eu tirei uma foto do meu filho, coloquei as informações do nascimento e mandei para todas as pessoas que eu queria participar. E avisei que no momento não estava pronta para receber visitas. Simples assim. E todo mundo respeitou.

Eu fui receber minhas amigas em casa quando meu filho já tinha dois meses. E foi uma delícia. Porque nesse momento eu já entendia melhor meu filho e conseguia aproveitar a companhia de outras pessoas.

As primeiras semanas para mim foram de estranhamento. Eu estava conhecendo meu bebê e me conhecendo como mãe. Não tinha espaço pra fazer sala pra visita.

Mas isso não quer dizer que eu fiquei dois meses isolada com meu filho. Eu não conseguiria. Esse é um período muito difícil e delicado. Acho que não é legal passar sozinha por tudo isso.

Meu marido estava junto (apesar de ter que voltar a trabalhar depois da licença ridícula de cinco dias). Minha mãe não mora em São Paulo, mas passou 15 dias na cidade e cuidou de toda logística da casa: comida, compras, lavar roupa.

É importante ter apoio. Mas é muito diferente de ter que se preocupar em receber visita.

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