Juliana
Juliana
Jul 10, 2017 · 4 min read

Sobre a gravidez

Da descoberta

Eu descobri que estava grávida no dia 23 de agosto. No final de semana meu marido disse que achava que eu estava grávida. Mas ele achou isso muitas vezes. Na segunda feira uma colega do trabalho anunciou que estava grávida. À noite eu fiquei enjoada no trânsito.

Não devia ser nada. Já tinha feito dezenas de testes de gravidez de farmácia. Nunca era nada.

A diferença era que esse era o primeiro teste depois de termos decidido “começar a tentar”. Era o primeiro que eu queria que desse positivo.

Terça de manhã acordei e resolvi fazer o teste. Tinha um em casa. Em 30 segundos apareceram as duas listras!

Nesse dia fiz um exame de sangue e mais dois testes de farmácia. Obviamente todos positivos. Contei para o meu marido quando cheguei em casa do trabalho.

Acho que estou grávida.

Por quê?

Porque fiz três testes de xixi e um exame de sangue e deu positivo.

Então você está grávida!

É, estou!

Do primeiro ultrassom

Com 6 semanas. Eu achava que a médica ia dizer que não tinha nada, que eu não estava grávida. Para mim ainda não parecia real.

No entanto lá estava na tela: 0,8 cm, e um pontinho piscando. E depois aquele barulho alto, acelerado, parecia um cavalo correndo. Batidas do coração.

Dos enjoos

Eu achava que não teria enjoos. Enjoei todos os dias, da sexta até a décima segunda semana. E não eram enjoos matinais. Vinham a qualquer hora. Principalmente quando estava com fome. Que era a qualquer hora.

Um conselho geral: cítricos.

Um conselho específico: picolé de limão

Da melhor parte

Comecei a sentir o meu filho mexer por volta da décima sexta semana. A primeira vez que senti estava sentada no sofá, vendo televisão, à noite. Não falei nada para o meu marido. Achei que pudesse ser viagem minha.

Naquela mesma noite, quando deitei para dormir senti mexer nitidamente. Bem fraquinho. Parecia uma bolha, sei lá.

No começo só eu sentia. E precisava estar deitada. Foi ficando mais forte. Eram os melhores momentos do dia. A hora que ele chutava.

Quando eu comia doce ele chutava mais. Sorvete então, era uma festa. Também gostava de restaurante japonês.

No final já não precisava do estímulo da comida. Mexia o tempo todo. Virava, dava chute, cotovelada, bundada, cabeçada.

Essa semana, pela primeira vez eu senti saudade dele mexendo dentro da minha barriga.

Do inchaço

Inchei muito. Sentia meu pé fofo, parecia que estava pisando em uma almofada. No final só um tênis dourado servia no meu pé. E depois que meu filho nasceu eu inchei ainda mais. Fui na consulta do pediatra de chinelo, porque nem o tênis dourado servia. Quinze dias depois do parto quase chorei de emoção ao olhar meu pé. Mas ele ficou maior pra sempre. Minhas sapatilhas não servem mais. E eu já calçava 39.

Um conselho: drenagem linfática

Do peso

Eu engordei mais de 30 quilos. Ponto.

Do sono

No começo dormi muito. Alguns dias dormi por dezesseis horas seguidas. Só parando pra tomar leite no meio e não ficar com fome.

No final eu tinha sono. Mas era difícil dormir por muito tempo seguido. A barriga estava gigantesca. Eu usava cinco travesseiros. Eu dormia de lado mas meu quadril doía por causa do meu peso (lembra? 30kg). Então eu tirava cochilos o dia inteiro.

No final do final eu estava muito ansiosa e dormia menos. Suco de maracujá feito pelo marido toda noite.

Das dores

Por ordem de aparição: peitos, cólicas, lombar, ciático, pés, pernas, cervical, quadril.

Do mês bônus

Meu filho nasceu com 42 semanas. Cravado. Porque induziram meu parto, se não eu não sei.

Na minha cabeça gravidez ia até 38 semanas.

Esse último mês foi foda.

Dos melhores diálogos

Meu aluno (9 anos): Mas por que você bebe tanta água Ju?

Eu (com uma garrafa de 1,5 litro na mão): Grávida precisa beber muita água.

Aluno: Desse jeito você vai afogar seu bebê!


Aluno 1: Mas essa conta está muito fácil! Até um bebê sabe fazer!

Aluno 2: Bebê não sabe fazer conta!

Aluno 1: O bebê da Ju vai saber! Ela é professora!

Aluno 2: É… Pelo menos a tabuada ele vai saber…Ela fala disso o tempo todo.


Eu (mostrando toda orgulhosa o ultrassom do bebê no telão da sala de aula): Aqui dá pra ver o pezinho! Estão vendo?

Aluna 1: Aí que fofinho Ju!

Aluno 2: Eu não to entendendo nada disso!

Aluno 3: Você tem certeza que é o seu filho nessa foto? Não parece um bebê.

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