Algo Não Tão Perfeito Assim
“Na época de escola, mais necessariamente no ensino fundamental, não fui a mais popular. Eu era baixinha, meio manca, invocada, calada até demais e achava graça de coisas bem fora do habitual.
O tempo passou, muita coisa aconteceu, não cresci desde então e quase não manco mais desde a época da introdução ao humor negro. Comecei a falar um pouco mais (bem pouquinho) e continuo com cara de invocada (nada é perfeito!). Conheci muita gente: umas incríveis, outras nem tanto; casei duas vezes, tive vários gatos, cachorros e aprendi a usar Vanish como ninguém. Mas, não me acho a Palmirinha no fogão. Isso me chateia, confesso. Por outro lado desenvolvi a técnica milenar de lavar louça e tenho TOC com limpeza.
Sou do tipo que na arrumação da casa vai jogar suas coisas fora sem querer, ou quebrar, ou molhar, porque eu sou desastrada. Mas por outro lado eu tento evitar deixar minhas coisas espalhadas.
Também não sou do tipo que faz surpresas incríveis. Aquela coisa do jantar a luz de velas e tal, sabe?
Primeiro porque me acho muito sem criatividade para essas coisas, segundo que morro de vergonha de surpresas, tanto de fazer, quanto de receber. Mas por outro lado posso deixar um bilhete com alguma coisa bem gay na sua bolsa ou se eu sair primeiro de casa enquanto você dorme, posso escrever bem grande no espelho com um batom ou uma canetinha que eu não consiga limpar nunca mais: eu amo você (se não tiver espelho eu escrevo em alguma parede por mais que você me coma viva depois).
Sim, “eu amo você”. Nunca gostei de dizer: “te amo”. Sempre achei “te amo” sinônimo de bom dia. Um “eu amo você” é bem mais profundo, não é todo mundo que diz e dá até arrepio, ó!
Ah! Eu lavo roupa, mas não passo. Odeio fazer bolinha com os pares das meias e isso fará a gente usar pares trocados, já aviso. Mas por outro lado eu passo o aspirador de pó em casa todos os dias para suprir a falha técnica das meias. Outra coisa que você precisa saber sobre mim é que eu tenho algo que parece um “sentimento de posse”, mas não é. Eu só gosto de ter exclusividade. Se você me apelidar de “vaca profana”, apenas eu poderei ser sua “vaca profana” e não sua/seu melhor amiga/amigo. Sacou?
Ah… também sou enciumada com toques. Não vou curtir ver alguém te alisando muito a não ser que seja sua/seu melhor amiga/amigo. Combinado?
Falando nisso, acho saudável que você saia sozinha com seus amigos para falar mal de mim. Dizer que minha TPM é um saco (esqueci de avisar!) e que não aguenta mais ela porque eu fico bipolar, tão bipolar que mandei você ir beber com eles. Mas, lembre-se: com horário marcado para voltar, porque fico um poço de ciúmes no período.
Quando você estiver doente, apesar de não ser uma MasterChef, vou usar todo o meu conhecimento digital para achar um super canal de culinária no Youtube e fazer uma comida bem bonita (gostosa já não garanto!).
Não mato coisas que se movam e que não seja necessário alimentar diariamente. Esqueça. Não rola!
ESQUEÇA. SÉRIO!“
Eu poderia continuar escrevendo e escrevendo, mas a única coisa que eu quis mostrar é que o “defeito” está na maneira que muitos enxergam as coisas. Se você observar, sem qualquer julgamento, vai notar que esses “defeitos” não passam de características não tão perfeitas assim. Tudo tem um outro lado.