Muita gente não gosta de arrumar o guarda-roupa. Eu diria que isso é aceitável, por exemplo: detesto arrumar a cama. Acho o cúmulo do pleonasmo ter que arrumar algo de manhã e bagunçar à noite. Mas, há quem defenda a questão da organização da cama com unhas e dentes.

Quem sou eu para questionar o contrário?

Voltando ao guarda-roupa… lembro que quando mais nova minha mãe sempre dizia:

- Arrume seu guarda-roupa, Juliana! Se você não organizar, sua vida estará tão bagunçada quanto ele.

Demorei anos para entender isso, mas finalmente encontrei o nexo.

Vamos imaginar que o guarda-roupa somos nós e que suas roupas são nossos sentimentos: amor, ódio, insatisfação, satisfação, desejo e assim por diante. 
Você conseguiria viver com todos os sentimentos (roupas) entrelaçados uns nos outros? Você saberia discernir as sensações? 
Na verdade você enxergaria algo: um monte de “nadas”.

Com o tempo passei a entender o que minha mãe dizia de uma forma muito intensa. Hoje em dia, se noto que minha vida está “torta” — vamos dizer assim — corro e abro o guarda-roupa, tiro tudo e arrumo novamente. Cada sentimento em sua gaveta; a gaveta do ódio é uma, a do amor outra.

O problema é quando misturo tudo de propósito!