Sendo Feliz Sozinho
É engraçado pensar nas coisas como elas são, minunciosamente falando. Leio mil textos por dia e vejo tantas e tantas pessoas indagando como é bom “ser sozinho” ou ensinando os 10 passos para esse “bem estar solitário fabuloso e necessário”.
Depois de ter vivido muitas coisas, passei a acreditar que a felicidade deve ser compartilhada.
Não sei ser feliz sozinha — não desse jeito maluco que o povo impõe -, e, ao contrário do que muita gente pensa, isso não faz de mim uma incapacitada, muito pelo contrário!
Acho que essa galera que vive gritando aos quatro ventos: “seja feliz sozinho” ainda não entendeu o que esse “ser feliz sozinho” quer dizer, realmente.
Ser feliz sozinho é saber viver a sua vida, mesmo estando ao lado de alguém. É saber que esse alguém pode gostar de amarelo e você de preto; que ela pode curtir destilado e você só cerveja; que ela pode curtir ler e você não suportar a ideia de ficar parado lendo algo. Na verdade, você precisa descobrir quem é, e o que gosta, para conseguir ser feliz e compartilhar. Nessa coisa da “busca” pela felicidade, a moçada acaba achando que é preciso se isolar do mundo, ler muito Bukowski (que eu adoro!) e assistir filme cult, porque é difícil de entender, assim como a vida do cidadão que a vive, então é tudo normal.
Cara, nunca estamos sozinhos e isso vem desde lá atrás, saca? Veja só: passamos 9 meses dentro de uma casinha de amor, quando saímos caímos no choro (isso é um sinal que não curtimos solidão, hein!), não conseguimos ficar longe daquele Deus que chamamos de “Mãe”; na escolinha precisamos dos amiguinhos para esquecermos da chupeta que ficou em casa, e da professora lembrando a cada 10 minutos que vamos ver nossa Mãe em breve; quando finalmente temos (ou achamos que temos) algum discernimento, chega alguém que quebra nossas 4 rodinhas e nos rendemos a primeira paixão. PRONTO! O caos foi instalado em nossa vida e passamos a precisar daquela pessoa mais do que o próprio oxigênio.
Eu odeio gente e assumo isso sempre que posso. Mas sei que preciso conviver com elas. Não quero ter 40 anos, 5 gatos, entre eles um chamado Calígula, e um pote de sorvete Napolitano para curtir meu final de semana com a minha super pança!
Entenda que aprender a viver sozinho é muito mais do que simplesmente curtir uma solidão.