Jesus Revolucionário

Blogs de esquerda, Teologia da Libertação, e aquilo que se convencionou chamar de “marxismo cristão” estão entre os atuais divulgadores da tese de que Jesus era uma espécie de revolucionário esquerdista, um Mujica dos tempos antigos que lutava por mudanças sociais e combatia a desigualdade da época. Com frequência, a ideia é proferida com ares de extrema atualidade, como se tivesse recém brotado da cabeça de um sábio comunista. Nada poderia estar mais errado.

A tese é de origem gnóstica; corrente filosófico-religiosa e sincrética que ganhou força nos primeiros séculos depois de Cristo, tornando-se uma corrente cristã, classificada logo em seguida, pela igreja, como herege. É certo que não havia um único gnosticismo na época, mas dois traços comuns a esses grupos, e que são de crucial importância para compreendermos a ideia de um Cristo Revolucionário, é a ideia de um Demiurgo — palavra de origem grega, que significa “artesão” — , um Deus criador do Universo, mas diferente do Deus cristão. Um Deus mau. O que dá margem à ideia de um universo errado, ou criação errada. A segunda ideia é que dentro de cada ser humano há uma chama divina que pode ser despertada, proporcionando um tipo especial de iluminação, compreensão da realidade. Essas duas pequenas ideias, minúsculas, são as mais perigosas que já saíram da cabeça humana. Nada tem potencial combustivo maior do que elas. Da seguinte forma: “Se a criação é errada, eu, um Deus nesse mundo, vou consertar a criação”. No momento em que essa decisão é tomada, assina-se imediatamente um contrato com o Diabo. Em oposição, a mentalidade verdadeiramente cristã parte do princípio de que este mundo não tem conserto, e nunca terá.

Nesse ponto, deve ficar claro que o “Jesus Revolucionário” ainda não era uma ideia com roupagem marxista, o que já existia era seu conteúdo; uma experiência gnóstica que deturpava a história de Cristo. Posteriormente, a Revolução Francesa e Voltaire adotaram tal ideia. Combinava perfeitamente com os ideais iluministas; de tentar criar um reino na terra sem Deus. Tentavam consertar a “criação a errada”.

Foi no seio da família Marx, e a partir de seus escritos, que nascia o Jesus com tonalidade inequivocamente vermelha. A filha do autor de O Capital dizia “Recordo muito bem os escrúpulos religiosos que me assaltaram aos 5 ou 6 anos…abri-me naturalmente com o meu pai. Lembro-me também do relato dos filhos do carpinteiro que os ricos mataram; jamais, creio, nem antes nem depois, está história foi tão eficazmente contada”.

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