A China de Pierpaolo Piccioli

Em Pequim, o diretor-criativo continua fazendo história com suas flores, brilhos e extravagâncias para a Valentino

João Vitor Araújo
Nov 7 · 3 min read

“Elegância é o equilíbrio entre proporção, emoção e surpresa”. É com essa frase – do próprio Valentino Garavani – que eu me encarrego de começar esse texto.

Por toda sua vida, Valentino Garavani se viu diante de muitos desafios que vão desde a guerra comercial entre as marcas de luxo e as fast fashions até os desafios de sustentar o ato de produzir Alta Costura. Porém, eu acredito que tais crises trouxeram resultados significados e acenderam a luz que Valentino estava precisando para continuar brilhando. Vestir atrizes em red carpets não era mais suficiente. Fundar a RED Valentino não foi suficiente. Mas assumir que o tempo passa e que todos evoluímos foi o melhor passo que a maison já deu.

Contratar Pierpaolo foi um ato de coragem. Afinal, fez Fendi e Dior no mesmo instante em que dividia a coroa com Garavani – que se aposentou em 2008. Como esperar que tal cérebro, governado por milhares de referências, conseguisse trazer uma individualidade para uma marca que já era conhecida pelas damas francesas, mas que precisava – de forma rápida e objetiva – atingir uma geração mais jovem formada pela classe das blogueiras e digital influencers?

Foram muitos estudos e análises de mercado até que se conseguisse atingir um novo comportamento para grife, isto é, uma Valentino livre e que consegue seduzir os olhos de quem vê, com sua proporção, emoção e claro, surpresa.

A nova coleção de Alta Costura aconteceu no Summer Palace, em Pequim. Foto: Fashion to MAX.

Nomeada de “Valentino Daydream”, ou em português “Valentino sonhando acordado”, a coleção marca um novo passo para sua Alta Costura, sendo obviamente uma cápsula-casual do que Piccioli acredita não apenas como estilista, mas como pessoa. Acredito também que escolher a China como palco desse show não foi de prontidão. Escolher o país que inventou a tinta e o papel foi uma sacada genial para mostrar que estão indo para o lugar certo: a criatividade em sua forma mais moderna.

Foi também polêmico. Ser estrangeiro e escolher a China para fazer moda sempre conduz uma série de adversidades. Lembram das gafes envolvendo a Victoria’s Secret e dos amigos e sócios Domenico Dolce & Stefano Gabbana? Então…

Embora simples, a estética de Piccioli não é óbvia, assim como acontece com as flores. Sempre há algo que surpreenda até o mais criativo dos criativos. É fino e ao mesmo tempo traz força, vida e formas que por mais over que sejam, ficam agradáveis em múltiplos corpos e traços.

Por fim, percebo que colocar plumas e paetês deu um novo capítulo ao que foi entregue na coleção passada, a linha de raciocínio é a mesma. Vendeu e ainda por cima ganhou os holofotes no Oscar, quando vestiu a atriz anglo-chinesa Gemma Chan. Junto com as estampas floridas, esses elementos acentuaram a coleção que no final ficou ainda mais romântica e com um drama tipicamente chinês, propiciado pelo jogo de luz e pela música erudita ao fundo.

João Vitor Araújo

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jornalismo | moda | marketing | comportamento

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