Sobre A Generosidade

Generosidade, ao contrário de gentileza, é item escasso na feira que chamamos de vida. Está em falta, os poucos que a encontraram comeram a fruta até o caroço, esquecendo de cuspir as sementes de volta à terra.

Gentileza, por sua vez, tem dado mais que chuchu na serra, sempre em promoção. A falta de uma emplacou a outra por substituição e aí o povo acostumou mesmo. É mais fácil, não tem que descascar, o tamanho é mais agradável, dá pra comer várias …

E por aí segue-se espalhando a cultura gentil segurando a porta do elevador com uma mão enquanto afia-se o punhal com q outra. Embora muito doce, gentileza é fruto da conveniência: “já que… Não me custa nada”.

Já a generosidade, essa complicação mais difícil que o cruzamento de uma jaca com um abacaxi, exige perda na disposição em tirar do próprio prato para distribuir ao outro.

Não nos enganemos. É necessário equilibrar-se na fina corda bamba esticada entre a fome e o plantio demorado. No estio, agarra-se a fruta mais proxima para sobreviver mais um dia. Importante, no entanto, entender a diferença entre a fome e a gula. Quem só toma da terra, acaba sem colheita.