“Time did reverse” Hannibal (Ep. Mizumono — Season 2)

Sem conserto

Não existe super-bonder da salvação

Dê uma chance ao seu novo eu, Will. Dê uma chance a nós e a vida que podemos dividir”. A oferta que faria com que a xícara que eles tinham quebrado juntos voltasse a ser inteira novamente. Pra quem tem fôlego e estômago principalmente, Hannibal é uma série que explora diversos mundos psicológicos, expõe muitas das questões últimas e seus conflitos internos, mas especialmente, mostra essa obsessão que o personagem do Hannibal Lecter tinha em fazer de Will sua quase extensão.

Esse costume que vemos muito por aí em variáveis níveis. Estamos sempre tentando mudar as pessoas para que elas se pareçam mais com aquilo que gostaríamos que elas fossem. Uma reprodução de nós mesmos? Talvez. Ou aquilo que julgamos ser melhor pra si e pro próximo? Com certeza. Uma tentativa incessável de curar mais rápido a ferida de outrem? Absolutamente.

Estamos de acordo que é correto? Definitivamente, não.

E não importa o quanto eu queira ou você tenha fé de que podemos modificar alguém ou uma situação, nós não podemos. Não temos controle supremo e absoluto sob ninguém.

No mundo animal por exemplo, a lagartixa recorre a estratégia de se desfazer da cauda quando está em perigo. Depois como vocês sabem a cauda se regenera, porém nunca mais será a mesma. O novo rabo será completamente diferente por dentro e por fora. E essa renovação ocorre no tempo desse réptil.

E o que de verdade eu quero dizer com isso, é que as pessoas tem seu próprio tempo pra amadurecer e se curar. Não há uma fada mágica que virá encantadoramente com sua varinha de condão dissipar as frustrações ou encanamentos que impedem um serzinho de evoluir. Ele só pode evoluir por conta própria.

As coisas nunca mais serão iguais, porque isso se chama transformação. O tempo é um enigma milagroso. Só ele tem a força e os condimentos necessários pra curar uma ferida. Só ele impulsiona e revela o tempero empírico que falta pra maturar alguém. Só ele, entende? Não eu e nem você.

Eu sei que é árduo por demais ter paciência quando queremos ver alguém ser mais feliz. Alguém que amamos que sofre consigo ou sofre por causa de si mesmo. Quero ver essa pessoa feliz! Quero que ela se adiante e perceba que essa escolha que ela faz hoje vai atrapalhar completamente o seu amanhã. Porra, quero que ela enxergue que não pode mais viver assim! Não dá.

Infelizmente não podemos jogar pó de pirlimpimpim e resolver tudo.

Eu por ter uma essência controladora e uma mania infindável de querer mudar o mundo, pra ver se deixo ele mais bonito e mais minha cara. Mania de idealizar demais as coisas, achando que do meu jeito fica melhor. E que fica mais colorido. É que eu tenho bom gosto sabe? E muito amor por quem eu quero que seja feliz. Mas não sou eu que decido nada, só posso viver e aprender dentro desse corpinho aqui. Diga-se de passagem muito bem, obrigada. Mas só aqui dentro, não moro na cabeça de ninguém.

Caio ainda nessa premissa de apontar o dedo na cara do outro achando que minha ideia perfeita demais está correta. O julgamento de acordo com o meu ideal e minhas convicções. Erro, que muitos cometemos irrefletidamente na maior parte das vezes. E não é legal.

Mas basta passar o ciclo vestido de baiana curandeira de todos os males, esse que faz sua dança sozinha, que põe cada cadeira no seu devido lugar, pra sacudir no seu momento certo a poeira que tem que levantar.

Paciencia, calma e discernimento e mais quantas variáveis quiserem entrar aqui pra que se fixe bem na cabeça, acho válido até grudar Post-It por aí, que o outro só muda se quiser e quando quiser. Uma pitada de empatia e confiança na ampulheta formam a química perfeita. De quem consente e ajuda com o coração. E assim passamos a ser menos egoístas e a nutrir sentimentos mais autênticos. É mais bonito ser e vencer do jeito que você realmente é, não? Pro outro também.

Vamos disseminar mais pureza por aí minha gente. Dessa que aceita as coisas como são e não tenta controlar nada nem ninguém. Nem o tempo de cada um. Isso também é espaço. Se eu ouvi bem por aí essa é a grande lei do amor. A outra deve ser a lei da paciência. Ambos tão andando de mãos dadas e assobiando pra vocês. Hashtag gratidão!

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