Dia 19 ou o dia que fiz vários nadas úteis

A temperatura caiu meeeesmo. Que frio! Atestado de frio: até as minhas roomates holandesa e irlandesa estão achando frio. Imaginem eu… cinquenta camadas. Logo, o shabat hoje foi realmente um dia de descanso, de fazer nada.

Como de costume, após o café, que hoje é às 10h, o pessoal foi para o gramado e para a pracinha que tem ao lado de fora do refeitório. É lindo no sábado, cheio de crianças felizes correndo para cima e para baixo, todo mundo só relaxando e descontraído. Hoje nitidamente estava mais vazio e todos nos recolhemos mais rapidamente, foram só as nuvens cobrirem o sol que cada um foi para a sua casa. No jantar pude constatar que a maioria realmente dormiu muito hoje, hehe. Bom também! Um legítimo shabat: dia de se recolher e descansar.

Aproveitei para dar uma volta em minha própria companhia pelo kibbutz. Aqui é tão difícil ter um tempo sozinha. É engraçado, pois é um local que exige que você consiga ficar sozinha e bem. Mas nunca estamos realmente sozinhos, eu divido casa com mais três, comemos sempre juntos, trabalhamos muito e juntos, após as refeições vamos para o local da interação, é difícil ter um espaço só nosso ao mesmo tempo que é essencial que saibamos ficar só. São duas dimensões diferentes, uma interna e outra externa. Mais uma vez esse lugar mostrando que nada é preto no branco.

Pois bem, descobri novos lugares, passeei no meu tempo, tirei fotos e fiz isso no dia ideal porque sempre tem gente trabalhando nos dias úteis, o que obviamente tolhe essa liberdade. Foi ótimo! Um tempinho para fazer tudo do meu jeito. Também precisamos dessas brechas.

Depois voltei para casa e comecei a ver algumas coisas para minha estadia pós kibbutz. Sem estresse e sem pressão. Foi o momento certo para isso, dia frio, descanso do corpo, computador embaixo das cobertas sem a pressão de ter que tomar decisões exatamente agora, só pesquisar mesmo. Estava com vontade de fazer isso, zero sentimento de obrigação, e caiu como uma luva. Inicialmente pretendia curtir um Netflix, mas deixei a vontade fluir.

Em resumo, fiz vários nadas úteis. Andei por aí no kibbutz, em mim e na internet. Um nada que foi zero tempo perdido, pelo contrário. Por mais nadas, só com menos frio, por favor.

Ah, mais uma observação, aqui eles pedem que a gente não saia do kibbutz por pelo menos um mês. É um pouco mais que um pedido, é meio que uma regra, mas não falam assim, afinal também não dá para tirar a liberdade de ir e vir. Mas, sim, não é para sairmos no primeiro mês e, de preferência, nem no segundo. A intenção é que fiquemos aqui imersos no início e sintamos e nos adaptemos ao local.

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